Sobre crer na ressurreição e nos milagres de Jesus

A ressurreição e os milagres de Jesus são inacreditáveis para os padrões cientificistas, que precisam que tudo se ajuste à sua lógica

Sobre crer na ressurreição e nos milagres de Jesus 08.06.16

© Jean Matthieu GAUTIER / CIRIC

Os céticos e racionalistas duvidam da ressurreição e dos milagres de Jesus, tratando-os como histórias de fantasia, inacreditáveis demais para o homem educado com os padrões humanos cientificistas, que precisa que tudo se ajuste à sua lógica – e, se não se ajusta, é então “impossível”.

Mas, como pergunta o próprio Deus a Abraão, sobre a risada de Sara, há algo que seja muito difícil para Deus? Por que algo seria demais, difícil ou impossível para Deus, que criou tudo o que existe, os planetas, as montanhas, os oceanos, os ventos, os seres vivos, animais e vegetais, e todas as condições para que se mantenham vivos, quando antes nada havia…? Por que seria difícil para Ele enviar à terra seu Filho para interceder pelos homens, concebendo-O através do Espírito Santo e da jovem Virgem Maria?

Por que seria difícil ou impossível para Ele andar por sobre as águas do mar? Ele criou o próprio mar! Por que seria difícil ou impossível para Ele ressuscitar ou curar doenças? Ele criou a própria Vida! Portanto, por que seria impossível para Ele intervir de maneira milagrosa na vida milagrosa que Ele mesmo criou?

Deus já está entre nós como Pai Criador. Ele também está em todos nós, pelo mesmo motivo, pois somos feitos de sua substância (à sua imagem e semelhança): e, se Ele nos criou e está entre nós e também em nós como Deus, porque para Ele seria difícil ou impossível estar entre nós também como Homem, encarnando para viver 33 anos entre a espécie que Ele mesmo Criou? Ele já havia criado o homem, por que não poderia Ele, quando se fez necessário, para salvar-nos, Criar a Si Mesmo como Homem, nos dando a conhecer face a face, corpo a corpo, espírito a espírito, o seu Filho?

O ser humano racionalista e cético em relação ao domínio do Vivo, toma a vida como garantida, não percebendo mais que a própria existência da vida, a própria existência de nós mesmos, é um mistério insondável. Mais insondável, até, do que os milagres de Jesus em sua missão – pois, estes, ainda, foram testemunhados e registrados para a história. A Criação, nenhum homem testemunhou.

Se duvidamos dos milagres de Jesus e da ressurreição, podemos duvidar da própria vida. E não seria isso um contrassenso, seres vivos duvidarem da própria vida? Mas, sim, o homem, em certo nível, vive mesmo a duvidar da própria vida, resistindo a ela e fazendo (mantendo) uma aliança com a morte e a estagnação, o enrijecimento e a descrença. Para o homem racionalista, cético e descrente – resistente ao vivo mistério da vida – é um problema falarmos com essa linguagem: Deus, Ele… Pois tal homem, então, imagina algo que se adapte às suas costumeiras narrativas sobre a vida, como se a única vida que existisse fosse a vida humana com seus padrões inventados. Imagina que estamos falando então de um homem grande e barbudo que espia tudo do céu como um guarda ou um vigilante, e que só intervém quando a Ele convém. Poderíamos falar então, para iniciar ou facilitar o diálogo, em uma força criadora, organizadora, cuidadora e misteriosa, que, ao ter criado tudo, consequentemente está presente também em tudo, e por isso também sabe de tudo. Que, ao criar as condições para que tudo continue existindo e vivendo, continua ela mesma presente nas coisas a todo o instante, conhecendo todo e qualquer movimento do que é vivo em toda a amplitude do universo. Mas o homem se enrijece para essa força, de fato, não a querendo mais presente: e só consegue crer no que vê e entende com seus padrões lógicos limitados (frente aos desdobramentos inimagináveis do cosmos, ou melhor, de Deus, o criador do cosmos).

É realmente um mistério, um milagre, que Deus se tenha feito homem, para salvar uma humanidade perdida, desviada do caminho da vida. Mas se uma pessoa qualquer para por um instante de achar que a vida se limita aos seus compromissos e dramas humanos – trabalho, festa, relacionamento – ela pode subitamente voltar a perceber que o próprio fato de ela estar aqui, agora – materializada, com esse corpo que funciona e vive, alimenta-se, digere o alimento, movimenta-se e respira – é um total milagre.

A questão Bíblica central é que a espécie humana, ao comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, atraída pelo Satanás, faz uma aliança com o projeto daquele anjo caído, destacado da legião de anjos de Deus para manifestar ambições próprias: a ambição, então, a partir do Pecado Original, passa a ser… ser superior ao próprio Deus, ou tomar seu lugar. O Satanás é um anjo que desenvolveu ciúmes de Deus – d’Ele, que é o pastor do rebanho cósmico inteiro, das estrelas aos menores seres. Satanás viu na nascente espécie humana uma oportunidade de capturar para si seu rebanho próprio, os homens, tirando-os de Deus.

Desde então, há uma luta de proporções gigantescas acontecendo entre Deus e o seu anjo caído, no que diz respeito ao domínio da vida humana, especificamente. Séculos, milênios desta luta, estão relatados na Bíblia Sagrada, do Antigo ao Novo Testamento. A vinda de Jesus foi uma manifestação grandiosa e perfeita de Deus, fazendo-se homem, para vencer o reinado da morte e da iniquidade estabelecidas por Satanás neste mundo, e pela atração que o ser humano sente pelas tentações deste. Jesus faz com os homens então, a Nova e Eterna Aliança, aceitando com misericórdia perene o retorno daqueles que querem voltar à vida paradisíaca que poderíamos estar vivendo coletivamente, caso não tivéssemos comido daquele fruto, e não o continuássemos comendo.

Algumas imagens inspiradas no Novo Testamento mostram Jesus puxando Adão e Eva de volta para o Paraíso. Jesus, que é homem, que é o Filho do Homem, dá a Adão a chance de se aperfeiçoar. Jesus, que é homem, é o único homem que não pecou, pois é Deus, e indicou para toda a humanidade a saída da prisão coletiva em que vivemos. Mas Ele mesmo, ao se deparar com a reação doente da grande maioria dos seres humanos à sua presença na terra – seres que, inclusive, o entregaram e mataram – declarou: “E este é o veredito, que a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram a escuridão em vez da luz, pois seus negócios eram maus” (João 3,9).

Daí que haverá uma segunda vinda de Jesus, e o Juízo Final: pois, Deus é misericordioso, mas Ele se fez carne, num movimento cósmico e divino muito grandioso, para oferecer uma nova chance de escolha ao homem… E esta chance está dada a todos, as portas do paraíso foram abertas, basta caminhar na direção e entrar. Daí o Juízo Final: quando Jesus verá quais dos homens aproveitaram a nova chance, e quais a desperdiçaram. Mais ainda: quais trabalharam ativamente para tentar fechar novamente as portas do paraíso para a espécie humana.

Pois a vinda de Deus à terra, como homem, foi uma atualização daquele momento narrado em Gênesis, quando o Satanás tenta a Adão e Eva a comerem o fruto proibido. Vamos continuar comendo o fruto do Pecado Original, e escolhendo coletivamente a escuridão, o sofrimento e a morte? Ou vamos escolher a Luz, e aceitar a mão de Jesus, o Messias, que pode e quer nos puxar para fora do inferno em que vivemos, para readentrar o Paraíso divino?

No Antigo Testamento, séculos antes da vinda de Jesus Cristo, Deus já dizia através do profeta Jeremias: “Pois meu povo cometeu duas maldades; eles esqueceram a mim, a fonte das águas da vida, e construíram para eles cisternas, cisternas quebradas, que não podem segurar nenhuma água” (Jeremias 2,13).

A vida de Jesus Cristo, sua crucificação pelo humano pecador, e sua ressurreição – isto é, sua vitória sobre a morte e o pecado – são as marcas vivas da Nova Aliança, a oportunidade que o homem tem para abandonar suas cisternas quebradas, artificiais e impotentes, e voltar-se de uma vez e sem olhar para trás, para a fonte das águas da vida.

“Aquele que acreditar em mim, como a escritura disse, de sua barriga fluirão rios de água da vida” (João 7,38).

Aleteia / Rômulo Cyríaco

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