Por que o padre não pode se casar?

Porque o padre não pode casar  14.06.16O celibato na Igreja está ligado teologicamente ao entregar-se de forma sublime ao Cristo, unindo-se a Ele sem reservas, doando todo o tempo, as energias, a inteligência e o próprio ser pela causa do Reino de Deus. Consiste em sacrificar-se por amor; em renunciar o finito e o pontual, pelo duradouro e universal.

Desde a Tradição Apostólica, a história nos mostra que homens renunciaram à vida conjugal para se dedicar inteiramente à Evangelização. Vários apóstolos e discípulos optaram pela vida matrimonial; muitos outros escolheram a vida celibatária. Assim, a Igreja se enriqueceu de dons e carismas diversos. Mas é certo que desde muito cedo o celibato foi uma forma de entrega total ao Esposo Ressuscitado. Dizia Paulo: “Gostaria que todos fossem como eu; mas cada um recebe de Deus seu dom particular: um este, outro aquele. Digo, todavia, aos solteiros e às viúvas que é bom para eles ficarem como eu sou. Mas, se não podem conter-se, que se casem: é melhor casar-se que abrasar-se”. (I Cor 7, 7-9).

Vários Concílios indicaram o celibato como uma obrigação para que a Evangelização fosse mais fecunda. Os Concílios de Elvira (295-302), de Niceia (325), de Calcedônia (451); e os decretos do pontificado de São Leão Magno (440-461), no findar do século IV. Mas foi no Primeiro Concílio de Latrão, em 1123, que o celibato foi instituído como uma disciplina obrigatória para todo o clero latino do Ocidente. O Concílio de Trento (1545-1563) ratificou definitivamente o celibato como uma lei obrigatória a todos os clérigos da Igreja Latina Ocidental.

Na Igreja Oriental, há muito tempo reina outra vertente da Tradição Apostólica. Vejamos a explicação do Catecismo da Igreja Católica: Nas Igrejas orientais vigora, desde há séculos, uma disciplina diferente: enquanto os bispos são escolhidos unicamente entre os celibatários, homens casados podem ser ordenados diáconos e presbíteros. Esta prática é, desde há muito tempo, considerada legítima: estes sacerdotes exercem um ministério frutuoso nas suas comunidades. Mas, por outro lado, o celibato dos sacerdotes é tido em muita honra nas Igrejas orientais e são numerosos aqueles que livremente optam por ele, por amor do Reino de Deus. Tanto no Oriente como no Ocidente, aquele que recebeu o sacramento da Ordem já não pode casar-se. (n.1580)

Hoje, muito tem se questionado o celibato, atribuindo a ele todas as causas das imoralidades que acontecem no seio da Igreja. É certo que o celibato somente se aplica àqueles que, livremente, escolheram o sacerdócio. Não é verdade que os distúrbios sexuais são gerados pelo celibato. A pedofilia, que é o maior distúrbio doentio que atinge amargamente a Igreja, é observada com muitíssima frequência em pessoas casadas e nas famílias bem estabelecidas. O problema não está no celibato, está na pessoa em particular, seja ela celibatária ou com a vida sexual ativa.

Se o casamento fosse a solução para todos os problemas que o clero vem enfrentado na área sexual, ele seria o espaço ideal e duradouro da perfeição. Não é o que se observa, com milhares de divórcios, infidelidade, violência doméstica, etc. Muitos casados são da opinião que os padres deviam se casar, mas, às vezes, esses mesmos vivem um inferno na vida matrimonial. Temos de cultivar a consciência que existem bons e maus padres, bons e maus cônjuges. Nunca coloquemos todos no mesmo liquidificador.

Também, temos de ter cuidado para não idealizarmos o sacerdote, transformando-o em objeto de desejo e de devaneios em nosso mundo das fantasias. Os clérigos devem ser fiéis ao seu chamado, entregando-se inteiramente à causa do Reino, abraçando o celibato como forma de amor absoluto ao Cristo Esposo. Preocupemo-nos menos com o casamento dos padres, e ajudemos a todos eles a serem fiéis ao seu chamado, amando-os, exortando-os e respeitando-os; dando o carinho e o apoio necessários, pois essa é a missão da grande família eclesial: colaborar e cuidar dos filhos e filhas que foram escolhidos para ao sacrifício total da vida pela Igreja.

A 12 / Pe. José Luís Queimado

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