Deus atua no simples e no humilde

humildade

“Eu olho para este, para o pobrezinho de alma abatida, que treme ao ouvir a minha palavra.” Is 66,2

Essa é uma verdade que a cada dia tem penetrado com mais força no meu coração: a graça de Deus atua com mais força no coração simples e humilde. A cada dia tenho buscado ser mais assim. Ainda há um grande caminho a percorrer…

Deus ama o humilde: escolheu Israel, um dos povos mais insignificantes para fazer a sua Aliança e depositar os seus benefícios. Muitos dos eleitos por Deus eram pessoas simples. Maria, a eleita por excelência, vivia em um humilde povoado, Nazaré. Jesus abaixou-se e serviu em toda a sua vida (ver Fl 2, 6-8), propondo a humildade como caminho de santidade.

Ele condena a falsa humildade disfarçada de modéstia, atitude muito típica dos fariseus. Isso fica muito claro na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14), que gostaria de refletir brevemente a seguir.

O fariseu: expressão da falsa humildade

Orava de pé, dando graças a Deus por todas as suas virtudes, por ser “justo”. Sua oração na verdade é um monólogo, onde se vangloria por tudo de bom que faz, agradece por não ser como aquele publicano, um pecador.

Poderíamos dizer que o fariseu é a encarnação do perfeccionismo, onde não há espaço para nenhuma impureza, imperfeição. No fundo ele não precisa de Deus, é autossuficiente: já não há espaço para a graça.

Na vida dele não há espaço para Jesus. Acredita que não pode fazer nada por ele. Vive fechado na sua torre de marfim de autossuficiência e de justiça pessoal. O seu maior pecado, segundo Jesus, é não conseguir ver a sua miséria (cf. Jo 9, 40-41).

O publicano: coração onde a graça atua com toda a sua força

Por outro lado, vemos a oração do publicano, de cabeça baixa, batendo no peito e reconhecendo-se pecador e pedindo com muita humildade a misericórdia de Deus.

Parece que nem percebeu a presença do fariseu. Só olha a Deus e a si mesmo e sob sua luz, reconhece a sua condição: pecador. Sabe de sua pequenez e mostra a sua fragilidade sem medo, sem máscara, sem nenhuma justificativa.

Ele escolhe o caminho da humildade, o de Jesus: abaixar-se para elevar-se. E quem sai justificado já sabemos…

Percorrendo com Maria o caminho da humildade

O primeiro passo para crescer na humildade é ser sincero comigo mesmo e reconhecer que muitas vezes tenho atitudes como a do fariseu. Com que facilidade me creio muito bom e julgo os outros…

O segredo para ser curado aprendemos do publicano: reconhecer-se frágil e colocar-se totalmente nas mãos de Deus, que pouco a pouco pode me purificar e me converter em um outro Cristo.

E como percorrer esse caminho? Na escola de Maria, a mulher humilde.

Peçamos que a Mãe nos ensine a ser cada dia mais humilde. Deixemos que Ela nos conduza pelos caminhos do seu Filho.

Ir. Gilberto Cunha – A12

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