Família, vocação e missão

famAbro com carinho um velho álbum de fotografias e revivo o amor de Deus retratado ali, em tantos momentos alegres e também difíceis da vida. Beijo um retrato com veneração, pois ali está estampado o bem mais precioso da minha vida: minha família. Se a amizade sincera é um tesouro, o que dizer da família? Família é uma arquitetura divina, é comunhão de vidas que geram novas vidas, cumprindo o que Deus disse na criação: “sejam fecundos, multipliquem-se!” (Gn 1,28).

O que pode haver de mais digno neste mundo do que dar a vida a um ser humano, imagem e semelhança de Deus? Não há sobre a terra obra alguma que se assemelhe em grandeza e dignidade. No entanto, a vocação dos humanos transcende a procriação. O amor, por exemplo, de um casal impossibilitado de ter filhos, que se doa ao bem de outros, ou de uma pessoa que não se casa para se consagrar a Deus, à comunidade e à sociedade, é profundamente fecundo.

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Jesus o disse e o provou doando sua vida para salvar os humanos de seus males, a começar pelos que afetam a família. Seu encontro com Zaqueu é significativo: “Desça depressa Zaqueu, porque hoje preciso ficar em sua casa” (Lc 19,5). Acolhendo Jesus e mudando de vida, Zaqueu acolhe a salvação em seu lar; ele recebe dádivas de Deus para a sua família.

Em todo mês de agosto, a Igreja realiza a Semana Nacional da Família, para educar-nos sobre o valor da família e despertar-nos sobre o que deve ser melhorado em nossa vida pessoal e social, em função da vida familiar. Agosto é também, para a Igreja, um mês de reflexão vocacional. Vocação está relacionada à missão. O que nos dá sentido à vida, senão a missão?

A qual missão você e eu, nos sentimos interpelados? Essa questão é chave em nossa vida. Ela abre a porta do sentido de nossa existência neste mundo, afinal se eu não estiver imbuído de uma missão, qual sentido dou à minha vida ao abrir os olhos, despertando-me cada dia? Qual sentido dou à minha vida ao partir para o trabalho ou ao estudo sem saber o que quero alcançar com tanto esforço? “Vaidade das vaidades”, diz o livro do Eclesiastes. Tudo se torna vazio.

A vida se torna vazia sem ideais e projetos a realizar. Por que, então, deixar-se invadir pela solidão de uma vida sem missão? Vida sem missão é fuga, evasão. Por certo, quem opta pelo caminho fácil, não encontra realização. “Estreito é o caminho que leva à salvação. Poucos o trilham. Largo é o caminho que leva à perdição. Muitos caminham por ele.” (Mt 7,13-14).

Sem dúvida, quem faz de sua vida uma missão anda na contramão. Assim são os que constituem famílias ou se consagram, imbuídos pela fecundidade do amor divino. Como é belo o casal que vive seu amor em Cristo, apoiando-se mutuamente ao longo de toda a vida! Como são belos também os consagrados, que unem suas mãos em luta e em prece, confiantes de que deles, Deus não se esquece!

Dom Reginaldo Andrietta

Bispo de Jales

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