Critérios que não são do mundo: quando a Madre Teresa recusava grandes doações

teresa de calcuta

O cardeal Angelo Comastri, amigo da religiosa que será canonizada no dia 4, explica o seu segredo

“Na realização da sua obra, a Madre Teresa de Calcutá não hesitou em recusar importantes doações, porque sabia que elas não iriam respeitar a dignidade dos pobres”.

Quem o conta é o cardeal italiano Angelo Comastri, vigário geral do Papa para a Cidade do Vaticano e grande amigo da futura Santa Teresa de Calcutá, a ser canonizada neste dia 4 de setembro.

ORAÇÃO

“Ela me olhou com dois olhos límpidos e penetrantes. E em seguida me perguntou: ‘Quantas horas você reza por dia?’. Eu fiquei surpreso com essa pergunta e tentei me defender dizendo: ‘Madre, da senhora eu esperava um chamado à caridade, um convite a amar mais os pobres. Por que me pergunta quantas horas eu rezo?’. A Madre Teresa pegou as minhas mãos e as apertou entre as dela, como que para transmitir a mim o que ela tinha no coração. E me confiou: ‘Meu filho, sem Deus nós somos pobres demais para ajudar os pobres! Lembre-se: eu sou apenas uma pobre mulher que reza. Rezando, Deus coloca o Seu amor no meu coração e assim eu posso amar os pobres. Rezando!’“.

“Eu nunca mais esqueci aquele encontro”, disse o cardeal Comastri, em um depoimento escrito. “O segredo da Madre Teresa está todo aqui. Nós nos reencontramos tantas outras vezes, e cada ação e cada decisão da Madre Teresa eu notei que era maravilhosamente coerente com essa convicção de fé: ‘Rezando, Deus coloca o Seu amor no meu coração e assim eu posso amar os pobres’”.

NOBEL DA PAZ

Comastri prossegue: “Em 1979, ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz: aceitou espantada e permanecendo tranquilamente pequena nas mãos de Deus. Foi receber o prêmio com a coroa do Santo Rosário apertada nas mãos grandes, acostumadas à fadiga do trabalho e à doçura das carícias: ninguém ousou censurar o seu carinho por Nossa Senhora; nem mesmo em uma terra estritamente luterana!”.

Retornando de Oslo, a Madre Teresa passou por Roma. Vários jornalistas lotaram o pátio exterior da casa humilde das Missionárias da Caridade no Monte Celio. A Madre Teresa não evitou os repórteres: acolheu-os como filhos, colocando na mão de cada um deles uma pequena medalha da Imaculada.

UMA PEQUENA PROVOCAÇÃO – E UMA RESPOSTA EXTRAORDINÁRIA

Os jornalistas, lembre-se o cardeal, foram generosos em fotos e perguntas. E uma pergunta foi um tanto provocadora: “Madre, a senhora tem setenta anos! Quando morrer, o mundo será como antes. O que mudou depois de tanto esforço?”.

“A Madre Teresa poderia ter reagido com um pouco de santa indignação, mas, em vez disto, sorriu luminosamente, como se tivessem lhe dado um beijo carinhoso. E disse: ‘Veja, eu nunca pensei que poderia mudar o mundo! Eu só tentei ser uma gota de água limpa em que pudesse brilhar o amor de Deus. Você acha pouco?’”.

O repórter não conseguiu responder. Ao redor da madre, tinha-se criado o silêncio da escuta e da emoção. A Madre Teresa retomou a palavra e pediu ao repórter: “Tente ser você também uma gota limpa e, assim, seremos dois. Você é casado?”. “Sim, madre”. “Peça também à sua esposa, e assim seremos três. Tem filhos?”. “Três filhos, madre”. “Peça também aos seus filhos e assim seremos seis…”.

UMA VILLA ITALIANA DE PRESENTE… RECUSADA!

Em 1988, a Madre Teresa visitou a localidade italiana de Porto Santo Stefano, onde Comastri era pároco na época. Em razão da visita, um rico industrial tinha manifestado a intenção de presentear à Madre Teresa a sua villa para acolher doentes de aids. Ele até tinha as chaves na mão para entregá-las à madre.

O sacerdote transmitiu a proposta à Madre Teresa, que prontamente respondeu: “Eu preciso rezar, tenho que pensar sobre isso. Não sei se é bom trazer os doentes de aids a um lugar de grande turismo. E se eles fossem rejeitados? Sofreriam duas vezes!”.

“Mas para todos nós, homens de pouca fé, parecia que a Madre Teresa estava prestes a perder uma ótima e rara oportunidade. Um distinto cavalheiro, que tinha assistido ao diálogo, sentiu-se compelido a aconselhar: ‘Madre, aceite a chave enquanto isso, e depois veremos’”, lembra Comastri.

Sem qualquer hesitação, porém, e talvez sentindo-se ferida no que lhe era mais querido e mais precioso, a Madre Teresa fechou a questão dizendo com firmeza: “Não, caro senhor. Porque aquilo que não me é necessário me pesa”.

JESÚS COLINA
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