Menina de 1 ano e meio morre de fome na Venezuela por duas mentiras e uma omissão

A morte da pequena e esquelética Stephanie não vai interpelar as consciências falsas

Carlos Ruiz/ Alfa y Omega

Carlos Ruiz/ Alfa y Omega

Faz alguns dias que enterramos a Stephanie. Ela tinha um ano e meio. É a menina que aparece na foto, sentada ao lado de um de seus irmãos. Morreu de fome em um dos países com mais recursos naturais do mundo. A dor da família e da comunidade se aprofundou porque a burocracia estatal obrigou o seu corpinho de bebê a ficar cinco dias em decomposição no barraco em que morava com a mãe e as outras crianças que aparecem na imagem.

As falsas consciências não se sentirão interpeladas por este assassinato: diluirão a sua responsabilidade na inconsciência dos pais de Stephanie: “tiveram filhos demais”. A morte de Stephanie, porém, obrigará todos nós, especialmente os cristãos acomodados, a prestar contas diante do Senhor, o Juiz da história.

Enquanto transportávamos o caixãozinho branco de Stephanie até o cemitério em um carro emprestado, eu não podia deixar de pensar nos seus restos famélicos, que evidenciavam duas mentiras assassinas e uma gravíssima omissão.

A primeira mentira é perpetrada pela narcoditadura chavista, que frustrou as esperanças de tantos venezuelanos empobrecidos manipulando a sua raiva diante das tantas injustiças padecidas a fim de perpetuar no poder os grupos criminosos que estão saqueando a Venezuela em proporções nunca vistas.

A segunda mentira é a do sistema capitalista que domina o mundo há mais de um século e que só se interessou por esta pátria para saqueá-la, apoiando-se na oligarquia crioula e gerando índices de desigualdade e exploração assombrosos. É o mesmo imperialismo internacional que agora quer se apresentar como a solução com as ilusões de sempre: “investimento estrangeiro, acesso ao crédito, competitividade”… miragens que só significam livre acesso para comprar o pouco que resta da Venezuela a preço de banana.

Mas a Stephanie também foi assassinada por uma omissão. A omissão dos católicos. Os daqui e os de fora, que ainda não cultivam a caridade política apesar de o Magistério não se cansar de exigi-la.

É evidente que, majoritariamente, nos deixamos permear por um espiritualismo escapista neoprotestante. Preferimos uma fé acomodada e tranquilizadora em vez da fé que reluz nas bem-aventuranças. O resultado está aqui: milhares, centenas de milhares de Stephanies sacrificadas dia após dia. Tende misericórdia, Senhor. Me perdoa, Stephanie.

Carlos Ruiz – Movimento Cultural Cristão

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