Papa a catequistas: insensibilidade de hoje escava abismos

papa-a-catequistas-insensibilidade-de-hoje-escava-abismos-26-09-16

Papa durante a missa do Jubileu dos Catequistas – AP

O Papa Francisco presidiu, neste domingo (25/09), na Praça São Pedro, a celebração eucarística pelo Jubileu dos Catequistas que teve início na última sexta-feira (23/09), e prosseguiu no sábado com momentos de reflexão e oração em várias igrejas romanas. Participaram da missa cerca de 15 mil catequistas provenientes de várias partes do mundo.

Em sua homilia, o Pontífice sublinhou que o Apóstolo Paulo dirige a Timóteo, e a nós também, algumas recomendações. Pede para guardar o “mandamento íntegro e sem mancha”. Fala apenas de um mandamento a fim de que o nosso olhar se mantenha fixo no que é essencial para a fé.

Anúncio pascal

“São Paulo não recomenda uma multidão de pontos e aspectos, mas sublinha o centro da fé. Este centro em torno do qual tudo gira, este coração pulsante que dá vida a tudo é o anúncio pascal, o primeiro anúncio: O Senhor Jesus ressuscitou, o Senhor Jesus nos ama e deu a vida por nós. Ressuscitado e vivo, está ao nosso lado e se interessa por nós todos os dias. Nunca devemos nos esquecer disso.”

“Neste Jubileu dos Catequistas, nos é pedido para não nos cansarmos de colocar em primeiro lugar o anúncio principal da fé: o Senhor ressuscitou. Não existem conteúdos mais importantes, nada é mais firme e atual. Todo conteúdo da fé torna-se perfeito se estiver ligado a este centro, se for permeado pelo anúncio pascal. Se ficar isolado, perde sentido e força. Somos chamados continuamente a viver e anunciar a Boa Nova do amor do Senhor.”

O mandamento de que fala São Paulo faz-nos pensar também no mandamento novo de Jesus: «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei». “É amando que se anuncia o Deus-Amor: nunca impondo a verdade e nem obstinando-se em torno de alguma obrigação religiosa ou moral.”

Pessoa viva

“Anuncia-se Deus, encontrando as pessoas, com atenção à sua história e ao seu caminho. Porque o Senhor não é uma ideia, mas uma Pessoa viva: a sua mensagem se comunica através do testemunho simples e verdadeiro, da escuta e acolhimento, da alegria que se irradia. Não se fala bem de Jesus, quando nos mostramos tristes; nem se transmite a beleza de Deus limitando-nos a fazer sermões bonitos. O Deus da esperança se anuncia vivendo no dia-a-dia o Evangelho da caridade, sem medo de o testemunhar inclusive com novas formas de anúncio.”

O Papa disse ainda que “o Evangelho deste domingo nos ajuda a compreender o que significa amar, especialmente a evitar alguns riscos. Na parábola, há um homem rico que não se dá conta de Lázaro, um pobre que «jazia ao seu portão». Na realidade, este rico não faz mal a ninguém, não se diz que é mau; e todavia tem uma enfermidade pior que a de Lázaro, apesar de este estar «coberto de chagas»: Este rico sofre duma forte cegueira, porque não consegue olhar para além do seu mundo, feito de banquetes e roupas finas. Não vê além da porta de sua casa, onde jazia Lázaro, porque não se importa com o que acontece fora. Não vê com os olhos, porque não sente com o coração. No seu coração, entrou a mundanidade que anestesia a alma”.

Buraco negro

“A mundanidade é como um «buraco negro» que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no próprio eu. Então só se veem as aparências e não nos damos conta dos outros, porque nos tornamos indiferentes a tudo. Quem sofre desta grave cegueira, assume muitas vezes comportamentos «estrábicos»: olha com reverência as pessoas famosas, de alto nível, admiradas pelo mundo, e afasta o olhar dos inúmeros Lázaros de hoje, dos pobres e dos doentes, que são os prediletos do Senhor.”

“Mas o Senhor olha para quem é transcurado e rejeitado pelo mundo. Lázaro é o único personagem, em todas as parábolas de Jesus, a ser chamado pelo nome. O seu nome significa «Deus ajuda». Deus não o esquece, o acolherá no banquete de seu Reino, juntamente com Abraão, numa comunhão rica de afetos. Ao contrário, na parábola, o homem rico não tem sequer um nome; a sua vida cai esquecida, porque quem vive para si mesmo não faz a história. A insensibilidade de hoje escava abismos intransponíveis para sempre”, disse ainda o Santo Padre.

Pobreza e dignidade

O Papa frisou que “há outro detalhe na parábola: um contraste. A vida opulenta deste homem sem nome é descrita com ostentação: tudo nele são carências e direitos, tudo é espalhafatoso. Mesmo na morte, insiste em ser ajudado e pretende os seus interesses. Ao invés, a pobreza de Lázaro é expressa com grande dignidade: da sua boca não saem lamentações, protestos nem palavras de desprezo. É uma válida lição.”

“Como servidores da palavra de Jesus, somos chamados a não ostentar aparência, nem procurar glória; não podemos sequer ser tristes e lastimosos. Não sejamos profetas da desgraça, que se comprazem em lobrigar perigos ou desvios; não sejamos pessoas que vivem entrincheiradas nos seus ambientes, proferindo juízos amargos sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo lamentoso não se coaduna com quem vive familiarizado com a Palavra de Deus.”

Esperança

Segundo o Papa Francisco, “quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria e vê longe, porque sabe olhar para além do mal e dos problemas. Ao mesmo tempo, vê bem de perto, porque está atento ao próximo e às suas necessidades. Hoje o Senhor nos pede isso: diante dos inúmeros Lázaros que vemos, somos chamados a inquietar-nos, a encontrar formas de os atender e ajudar, sem delegar sempre a outras pessoas nem dizer: «Ajudo você  amanhã». O tempo gasto socorrendo é tempo doado a Jesus, é amor que permanece: é o nosso tesouro no céu, que nos asseguramos aqui na terra”.

O Santo Padre concluiu a homilia pedindo a Deus para que “nos dê a força de viver e anunciar o mandamento do amor, vencendo a cegueira da aparência e as tristezas mundanas. Que Ele nos torne sensíveis aos pobres, que não são um apêndice do Evangelho, mas página central, sempre aberta diante de nós”.

Rádio Vaticano

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: