Valor da vida

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Dom Paulo Mendes Peixoto

A morte, quando acontece de forma natural, não significa desvalorizar a vida, porque ela faz parte da história de cada ser humano. Podemos entendê-la (a morte), conforme a bíblica, como caminho de purificação, de salto para a eternidade ou a plenitude de vida, que só acontece no encontro definitivo com Deus. “Não quero a morte do pecador, mas que ele se converta e vida” (Ez 18,23).

A vida é a superação da morte. Ela é um dom que plenifica sua existência e lhe dá as possibilidades necessárias para a pessoa ser feliz. Com uma facilidade quase natural o indivíduo perde sua capacidade de convergência, ou de realizar aquilo que ajuda na própria integridade pessoal. Por isso, é sempre importante realizar o retorno para objetivos que ajudam na qualidade de vida.

O amor de Deus, em relação à vida, é incisivo, mas depende dos compromissos que temos como defensores dos princípios que a conservam. Só o fato de pouco investimento e má administração no setor da saúde pública já é indício claro do desrespeito para com ela e a desqualifica. No Brasil essa realidade é gritante, corroborado com um saneamento público de proporções lastimáveis.

No Evangelho Jesus fala da ovelha ou da moeda perdida e investe tempo para encontrá-las. Fica alegre quando as encontra, pois se colocou a serviço delas, porque são importantes dentro do conjunto e da totalidade de seus bens. É como centrar esforços para defender quem está nas periferias de sua existência, na falta de saúde, de vida digna, de pobreza e sem condições reais de vida.

A parábola do “filho pródigo” é vista como a volta daquele que estava perdido, estava morto e agora voltou à vida. A Igreja “em saída” do papa Francisco é aquela que vai ao encontro dos doentes nas periferias existenciais, aos doentes no corpo, na mente e na identidade espiritual. É como o médico que foi preparado e existe para curar quem está enfermo e depende de recuperação.

Todas as pessoas são convidadas para assumir os interesses que proporcionam o valor da vida. Essa é a vontade do Criador, que deve ser também a vontade de toda criatura. Não é fácil valorizar mais quem está numa vida perdida do que àqueles que estão sempre sendo fieis e levam consigo uma vida sadia. Disse Jesus que veio para salvar os que estavam perdidos e não os já salvos.

CNBB/Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

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