“Rezar sempre e nunca desistir”

images-9-25-925b66c05f05f2082ac595f2173c5ce080355f99Estas palavras saíram da boca de Jesus, conforme nos conta São Lucas no Evangelho da Missa de hoje – Lc 18, 1-8. Para mostrar a necessidade de rezar permanentemente sem jamais abandonar a oração, Jesus contou uma parábola. A parábola fala de dois personagens: um juiz ateu que não respeitava pessoa alguma e uma viúva que lhe pedia que fizesse justiça contra um seu adversário. A viúva o incomodava diuturnamente, pedindo-lhe pronto atendimento à sua causa de duvidosa urgência e importância. Então, o juiz decidiu atendê-la sem nenhuma motivação justa senão para ver-se livre do aborrecimento que ela lhe causava. Jesus conclui a parábola, dizendo: “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por Ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”.

Perceba, gentil leitor e leitora, que para alguém “rezar sempre sem jamais desistir” precisa de uma fé perseverante. Talvez muitos se disponham a pedir alguma graça a Deus, o que é sinal de fé. Mas, como a experiência mostra, não poucos acabarão desistindo porque lhes parece que Deus não os atende ou ainda pior nem os escuta, o que revela a não fé. Portanto, só uns poucos perseverarão firmes na oração. Então, rezar e perseverar na oração, de fato, é uma questão de fé. Daí porque Jesus levantou a questão: “será que ainda vou encontrar fé sobre a terra?” Por outro lado, Jesus sinaliza que para os perseverantes na oração “Deus lhes fará justiça bem depressa”.     

No Evangelho da Missa do primeiro domingo de outubro os apóstolos pediram para Jesus aumentar a sua fé. E Jesus lhes respondeu que se tivessem fé ainda que do tamanho de uma sementinha de mostarda poderiam pedir ao pé de amoras para se retirar daqui e se plantar no mar e ele vos atenderia (cf. Lc 17, 5-6). Conclui-se que a fé pode ser pequena, do tamanho de uma semente, mas precisa ser fé. Hoje, Jesus acrescenta que a fé precisa ser perseverante. A fé perseverante sustenta a pessoa na oração, na prática do bem, na missão. Ainda quanto ao rezar, numa outra ocasião os discípulos pediram a Jesus que os ensinasse a rezar (cf. Lc 11, 1-4). E o Senhor ensinou a oração que é o modelo de toda oração, a oração mais bonita e perfeita, o Pai Nosso. O Catecismo aponta estas duas coisas que podem prejudicar a nossa oração: ou não rezamos com suficiente intensidade ou pedimos a Deus coisas erradas. Para contrapor, recorda que o santo Cura d’Ars fez esta observação: “Oraste, suspiraste… Mas jejuaste também? Fizeste vigília? Também que santa Tereza de Ávila disse: “Não peças fardos leves, mas umas costas fortes!”. E que inclusive o apóstolo Tiago escreveu: “Se nada tendes, é porque nada pedis. Se pedis e não recebeis, é porque pedis mal, pois o que estais a pedir é para satisfazer as vossas paixões” (Tg 4, 2-3) (cf Youcat, 507). 

Peçamos a Deus a graça da “fé perseverante” e de “rezar sempre sem nunca desistir”. Que o Senhor nos envie o Espírito Santo para aumentar a nossa fé e nos ensinar a rezar. Lemos na Bíblia que o “Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26). Por isso mesmo, supliquemos também a graça de confiar que Deus nos atenderá se lhe suplicamos dia e noite. 

Nesta semana que passou, tivemos no mesmo dia a grande festa de Nossa Senhora Aparecida e a carinhosa festa das crianças. Duas comemorações numa festa só das mais bonitas e significativas do ano, a que junta a da mãe com a das crianças. Dentre todos os cristãos, nós os católicos somos os mais felizes também porque gostamos da Mãe do Senhor. No próximo ano, celebra-se o jubileu dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora no rio Paraíba. Sabemos daquele milagre. Três pescadores não conseguiam pegar nenhum peixe que lhes fora encomendado para o banquete de acolhida ao governador de São Paulo que visitava Guaratinguetá. Por fim, lançando a rede, pescam o corpo de uma imagem. Lançam de novo e recolhem a cabeça da estátua. Juntando as partes ficou claro que se tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição. Lançam mais uma vez a rede e ela vem estufada de peixes. Uma intervenção sobrenatural aconteceu ali naquele momento, com uma bênção da Mãe de Deus. Nestes 300 anos a Conceição que recebeu o nome de Nossa Senhora Aparecida vem fazendo inúmeros milagres aos filhos que lhe suplicam bênçãos e graças, desde o Santuário de Aparecida. Em 1930, o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora da Conceição Aparecida Padroeira do Brasil. Começa desde agora o ano jubilar que se encerrará em 12 de outubro de 2017 de preparação para a celebração solene dos trezentos anos da manifestação da Virgem Maria em terras brasileiras, com vistas a promover o bem espiritual dos fiéis e a difusão da devoção à Imaculada Mãe de Deus. O tema do ano jubilar é: “O rosto misericordioso de Maria”. É um convite a erguer os nossos olhos à Mãe de misericórdia, cheios de confiança, suspirando para que ela volva os seus olhos misericordiosos sobre nós, nos abençoe e nos mostre Jesus. Amém!

Dom Caetano Ferrari
Diocese de Bauru

 

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