Rosário: caminho de contemplação

santo-rosarioContemplar significa observar atentamente, examinar profundamente, considerar o que está diante da nossa vista. É, portanto, uma espécie de “remar mar adentro” das realidades que já são conhecidas por nós em certo sentido, mas que possuem uma riqueza enorme para aqueles que buscam contemplá-las com mais cuidado. A oração do Terço justamente nos propõe isso. Que contemplemos os mistérios de Jesus, guiados por Maria, que é a criatura que melhor conhece os conhece.

Mas contemplar não é o primeiro passo. Na verdade, não podemos contemplar algo sobre o qual não tenhamos já previamente um certo conhecimento. A metáfora usada do “remar mar adentro” provém de uma passagem bíblica que pode ajudar a entender isso melhor. Jesus, depois de subir no barco de Pedro e ensinar os discípulos que estavam na margem, pede a Pedro que avance a águas mais profundas, que reme mar adentro, para poder pescar. Pedro só pode remar mar adentro porque conhece o mar, sabe como remar, é um pescador.

Um outro exemplo que pode ajudar ainda mais é o seguinte: É antiga na Igreja a tradição daLectio Divina. Uma oração meditada com a palavra de Deus. Nela, existem alguns passos que precisam ser seguidos. O primeiro deles é a lectio, ou seja, a leitura do texto inspirado. Segue-se então a meditatio, a meditação sobre aquilo que se leu, na qual percebe-se o que Deus está dizendo. Depois fazemos a oratio, que é a nossa resposta ao que Deus disse. Somente depois chega-se a contemplatio, que é uma espécie de silêncio, no qual se adora a Deus sem palavras, porque palavra nenhuma é capaz de expressar a grandeza, a bondade, a beleza do Senhor.

 O terço nos convida a contemplar. Com os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos, somos convidados a deter-nos em vários mistérios da vida de Jesus. Mas para fazê-lo bem, é preciso que antes tenhamos já meditado sobre esses mistérios. Por isso ajuda a contemplação se em cada mistério se ler a passagem bíblica a qual se refere e talvez uma explicação sobre ela. Assim, podemos remar mar adentro. Senão, podemos cair, como é muito comum, em uma contemplação do vazio, onde reina a falta de concentração e fica muito fácil cair em distrações.

Talvez porque caem nisso é que muitas pessoas veem essa oração como monótona e repetitiva. Mas se a rezamos bem, vamos aprofundando cada vez mais na intimidade com Jesus, algo que não tem fim. Nesse sentido, a oração do terço se assemelha ao Céu, onde teremos a visão beatífica de Deus, sem nenhuma distração. E o céu não é monótono e repetitivo, pelo contrário é alegria e gozo profundo de ver a Deus cara a cara. O terço também pode ser fonte de alegria profunda, porque nele, junto com Maria, vamos conhecendo realmente melhor a Jesus.

Para não ficar só na teoria, vários são os santos que dão testemunho das grandes graças que alcançaram pela oração do terço. Mas sobretudo da grande graça que é, em si mesmo, a oração do terço. Padre Pio falava que o rosário é a melhor arma dos cristãos. Diz-se que ele chegava a rezar todos os mistérios do terço mais de uma vez por dia, enquanto esperava os fiéis no confessionário. Algo muito sensato que disse foi: Se a própria Virgem, nos locais onde aparece, pede reiteradamente que rezemos o terço, deve ser por uma razão especial. O Papa São João Paulo II, que tinha como lema o famoso Totus Tuus, no qual se mostra inteiramente de Maria, escreveu que o terço ‘põem-nos em comunhão viva com Jesus através do Coração de Sua Mãe’ (São João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, 2).

Ir. João Antonio Johas Leão/A12

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