Educar para a esperança protege contra o desânimo

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Fé, Esperança e Caridade são as três virtudes teologais. Virtudes que nos aproximam dos sentidos profundos de nossa fé e nos ajudam a praticar as demais virtudes. Nesta reflexão, nos dedicaremos à Esperança! O que será da Educação se a esperança não for alimentada? O Catecismo da Igreja Católica define esperança como “aspiração humana de felicidade”.

§1818 A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade. (cf. Catecismo da Igreja Católica)

O ensinamento da Igreja é encantador e inspirador. A Esperança deve nos mover e nos fazer superar o desânimo, o desalento e o esmorecimento. Guardemos inabalável a confissão da esperança, pois Aquele que prometeu é fiel”. (Hebreus 10,23) É Jesus que nos impulsiona e alimenta nossa Esperança e nossa alegria. Papa Francisco, na homilia do dia 06 de maio de 2016, na Capela de Santa Marta, disse:

“Uma alegria sem esperança é um simples divertimento, uma alegria passageira. Uma esperança sem alegria não é esperança, não vai além de um otimismo sadio… que o Senhor nos conceda a graça de uma alegria grande que seja a expressão da esperança; e uma esperança forte que se torne alegria na nossa vida. Que o Senhor conserve esta alegria e esperança, assim ninguém poderá privar-nos delas”. 

Vamos também buscar, nas teorias educacionais, fundamentações sobre a importância da esperança para a Educação? Paulo Freire, um dos grandes filósofos brasileiros, é o ponto de apoio desta reflexão.

A proposta de Paulo Freire é que a Educação perceba o ser humano como um sujeito em construção e por isso mesmo de esperanças emancipadoras. Ele utiliza a expressão “quefazer”para indicar a inserção no processo histórico. A história é uma história do fazer e refazer humano, como tempo do possível e não de algo pré-determinado que limita a ação humana pelo imobilismo. Por isso a história humana deve ser: “A História como tempo de possibilidade e não de determinismo; o futuro como problemático e não inexorável.” (Pedagogia da Autonomia. 1996, p.21).

“A Educação não pode ser víeis para o fechamento da esperança, tampouco para o afastamento da responsabilidade humana na construção de seu tempo e de sua humanidade”.

A Educação não pode ser víeis para o fechamento da esperança, tampouco para o afastamento da responsabilidade humana na construção de seu tempo e de sua humanidade. Paulo Freire afirma “que o ‘destino’ não é um dado, mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não podemos nos eximir”. (Pedagogia da Autonomia 1996, p.58)

Na Pedagogia da Esperança encontramos a certeza de que a Educação não pode ceder ao determinismo e aos apelos ideológicos. Argumenta Paulo Freire:

“A razão de ser de minha esperança radica na natureza inacabada de meu ser histórico. Inconcluso, me acho inserido num movimento permanente de busca. Minha esperança se funda na impossibilidade de buscar desesperadamente. É neste sentido que tenho afirmado que não sou esperançoso por pura teimosia, mas por uma questão de radicalidade ontológica. A nossa esperança tem que ver com a nossa capacidade de decidir, de romper, de escolher, de ajuizar”. (Pedagogia da Esperança. 1988.p. 89)

A Educação não é uma ação para a submissão. Quem pretende educar deve entender a importância e urgência da reflexão acerca do homem e do seu meio de vida. “Estar no mundo implica necessariamente estar com o mundo e com os outros”. (Educação como prática de Liberdade, 1995.p.20). “Ninguém nasce feito: é experimentando-nos no mundo que nós nos fazemos” (Educação como prática de Liberdade, 1993. p79).

O ser humano é inacabado, não sendo ainda o que pode vir a ser. Por sua dimensão criativa e criadora, transforma pelo trabalho e pela relação na polis, a si e ao mundo. Essa dinâmica o faz ir ao encontro da liberdade, impulsionado pelo desejo do bem maior, a felicidade. A esperança é a condição da criação. “Só na convicção do inacabado pode encontrar o sentido da esperança. Quem se julga acabado está morto” (Educação como prática de Liberdade, 1987.p.53)

“Que o Deus da esperança vos cumule de toda alegria e paz em vossa fé, a fim de que pela ação do Espírito Santo a vossa esperança transborde” (Rm 15,13).

Joana Darc Venancio

Coordenadora da Pastoral da Educação da Diocese de Itaguaí/RJ

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