A tempera dos mártires

tempera“Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição” (II Tm 6,4-8).

A história da Igreja Católica é cercada do martírio, de crianças, jovens, adultos e idosos que morreram por defenderem de algum modo a sua fé em Deus e por isso, tiveram as suas vidas ceifadas, sendo na maioria das vezes de forma muito cruéis, cercada assim, de muito sofrimento. O que impressionava e impressiona em muitos casos os algozes dos nossos irmãos mártires é a coragem de se dispor diante de uma morte horrenda, a apostatar de sua fé em Jesus e na Igreja.

Isso se deve à tempera do cristão, onde o mesmo a adquire com as experiências de Deus, encarnadas na vida cotidiana, seja ela qual for e em que período da história. Assim como o aço é modelado no fogo e na água para ganhar tempera o cristão a adquire nos percalços da vida.

“[…]sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará; orienta bem o teu caminho e espera nele. Conserva o temor dele até na velhice.

 Vós, que temeis o Senhor, esperai em sua misericórdia, não vos afasteis dele, para que não caiais; vós, que temeis o Senhor, tende confiança nele, a fim de que não se desvaneça vossa recompensa”. (Eclo 2,3-8)

A fé nos encaminha a nunca desistir, mesmo diante de tantas lutas e perseguições. Se caso for, temos que seguir Jesus até o alto da cruz, de uma forca, dos pelotões de fuzilamento, pois “o sangue dos mártires é a semente dos cristãos” (Tertuliano).

Hoje podemos perceber com mais nitidez que a espada nunca se afastou dos cristãos, quando vemos nos noticiários, a quantidade de pessoas que são levadas ao martírio por serem cristãs. Essas são as grandes provas de martírio, mas não se enganem, aqui também somos chamados a dar testemunho de nossa fé, não morrendo decapitado ou fuzilado – ainda, mas diante de tantas ideologias que maculam a nossa fé. Qual a nossa posição diante dessas realidades?

Temos que pedir ao Espírito Santo a mesma tempera para que não caiamos frente a tais provações. Não se enganem, sem a tempera dos mártires não conseguiremos sobreviver frente a tais as provações. Porque tantas pessoas apostatam a sua fé? Porque não conseguiram ter a tempera e qualquer vento de doutrina pode desestruturá-las e fazê-las cair, abdicando de sua fé e dos seus princípios cristãos em prol de coisas que não os edificam como homens e mulheres.

“Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores. Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4,11-15).

Francisco Ribeiro Alves

Missionário da Comunidade Mãe Imaculada

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