Educar para a Virtude: Fazer o bem e evitar o mal

 

Fazer o bem e evitar o mal

“No comportamento diário aprendemos pela imitação do outro e repetimos como comportamento pessoal”

Numa sociedade cada vez mais moldada na relativização dos valores, nas suas mais variadas formas, necessita de uma nova orientação. A superação do modelo dogmático feito pela Modernidade, e a superação do modelo racionalmente rígido feito pela Pós-modernidade, não garantiram uma sociedade mais equilibrada. É preciso a instauração de um “novo tempo”, próprio dos que pretendem ser virtuosos superando os vícios.

Precisamos reforçar a vivência da ética e irmos além do conhecimento cognitivo sobre a mesma. Muito podemos saber sobre ética, mas não necessariamente praticá-la. Também é necessário irmos além da dimensão proibitiva. Não se trata de desvalorizar as regras que proíbem atos contrários ao bem comum, mas potencializar a condição interior dos sentidos das virtudes como condição sine qua non, pois nosso Fundamento é Jesus. “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade”. (I João 3, 18). Pelos valores do Evangelho e pelo desprezo às ideologias que sufocam a verdade do mesmo, poderemos reconduzir nossa sociedade à virtude.Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (26) Papa Francisco afirma: “Sem vida nova e espírito evangélico autêntico, sem «fidelidade da Igreja à própria vocação», toda e qualquer nova estrutura se corrompe em pouco tempo”

A educação para ética tem se fundamentado mais na dimensão proibitiva, naquilo que não se deve fazer, descuidando da dimensão do que se deve sentir. A ética pela lógica da proibição legisla atitudes, que na verdade deveriam ser reveladas em nossa essência. Quem tem Jesus como Mestre conhece a verdade e por isso se torna virtuoso e não espera ser reto pelas proibições. Nisto consiste a consciência moral. O Catecismo da Igreja Católica esclarece:

§1776 A CONSCIÊNCIA MORAL “Na intimidade da consciência, o homem descobre uma lei. Ele não a dá a si mesmo. Mas a ela deve obedecer. Chamando-o sempre a amar e fazer o bem e a evitar o mal, no momento oportuno a voz desta lei ressoa no íntimo de seu coração… É uma lei inscrita por Deus no coração do homem.. A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz.

Vivemos tempos de crise ética e “ondas ideológicas” tentam nos confundir sobre o que é certo e o que é errado. Por isso, é preferível optarmos sempre por formulações que não permitam ambiguidade. Por exemplo, respeitar a vida pode ser relativizado por essas ondas. Imaginemos que alguém considere, que em respeito a sua própria vida, possa matar outra pessoa, como no caso do aborto. A alegação de defesa do aborto pode vir a ser uma ‘norma ética própria’, fruto do relativismo. A formulação “não matar” é direta indicando como se deve agir: não matar! Se alguém matar estará desrespeitando a regra, independente da intenção ou da justificativa que se encontre para realizar tal fato.O Catecismo da Igreja Católica é claro:

§1789 Algumas regras se aplicam a todos os casos: Nunca é permitido praticar um mal para que daí resulte um bem. A “regra de ouro”: “Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles”.

§1833 A virtude é uma disposição habitual e firme de fazer o bem.

O que seria do homem sem a virtude? O homem virtuoso, pensa antes de agir, ele não age por extinto, mas pela razão. Fundamenta o Catecismo da Igreja Católica:

§1804 As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem.

Através da virtude o homem, como ser racional, pode chegar ao consenso para uma vida respeitável e livre dos vícios. A vida virtuosa é a superação da vida viciosa. A Virtude ou o vício somente podem ser adquiridos pelo hábito, ou seja, pela vivência no éthos. Elucida Aristóteles (1995):

(…) toda “virtude”, para a coisa da qual é “virtude”, tem como efeito, ao mesmo tempo, colocar esta coisa em bom estado e lhe permitir bem executar sua obra própria (…) Se, então, se dá o mesmo em todos os casos, a excelência, a virtude do homem, será igualmente uma disposição pela qual um homem torna-se bom e pela qual também sua obra tornar-se-á boa (Ética a Nicômaco.1106a 15-23).

No comportamento diário aprendemos pela imitação do outro e repetimos como comportamento pessoal, tornando-se assim, uma “segunda natureza”, assim como prevê Aristóteles quando passamos do vício para a virtude.

Joana Darc Venancio

Coordenadora da Pastoral da Educação da Diocese de Itaguaí/RJ

 

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