Ideologia de gênero

ideoNo cinema, chamado sétima arte, multiplicam-se filmes que abordam a diversidade sexual e a ideologia de gênero. Nas escolas e nas universidades organizam-se simpósios, concursos e debates sobre os direitos sexuais e os novos arranjos familiares. As cartilhas para o ensino fundamental e médio proliferam-se e são publicadas por muitas editoras, tratando de gênero e de relacionamentos amorosos entre crianças do mesmo sexo. Sem mencionar ainda outras inúmeras atividades, organizadas por órgãos ligados ao mundo jurídico, ao segmento formativo de professores e ao espaço da mídia nacional, percebe-se como essa ideologia adquiriu nesse início do século XXI um caráter onipresente e onisciente.
Presente em todas as partes e denominando-se a si mesmo como um progresso cultural, pedagógico e jurídico, a Ideologia de Gênero não permite nenhuma outra visão diferente da sexualidade humana.
Utilizando-se de estratégias bem planejadas e aplicadas nos três grandes campos de formação da opinião pública – educação, mídia e entretenimento, os ideólogos de gênero querem desconstruir a identidade do homem e da mulher, com um objetivo bem determinado: a formação de uma sociedade sem casamentos, sem família natural, sem distinção de idades, sem respeito à natureza humana, sem educação para a maturidade sexual e, finalmente, a criação de um mundo polimórfico no sexo.
O polimorfismo sexual é o alvo principal da Ideologia de Gênero. Para os seus pensadores e defensores não há mais homem nem mulher desde a sua concepção, mas sim indivíduos humanos, que prescindindo de sua natureza biológica e física, têm a liberdade de escolherem a sua identidade sexual, a que quiserem, de darem a orientação sexual que viverão, de combinarem, sem restrições éticas, as formas de relacionamentos sexuais que mais lhe apetecerem.
E o mais perigoso nessa escolha autônoma é que todas essas “novas formas” de ser pessoa, com a diversidade sexual querida, têm o mesmo valor antropológico e ético, e devem ser reconhecidas públicas e legalmente numa “sociedade evoluída”.
O que realmente está acontecendo por meio da Ideologia de Gênero, com seu caráter onipresente e onisciente? Uma revolução sexual? Não! Ela já aconteceu há algumas décadas atrás, nos anos 1960-1970.
Uma revolta contra o machismo dominador das mulheres? Não! Essa revolta já aconteceu no princípio do século XX com os feminismos de 1ª e 2ª geração, legítimos nos seus objetivos e métodos, dando à mulher o seu papel insubstituível na família e na sociedade.
O que está acontecendo é só libertinagem no campo da sexualidade humana? Também não! Sempre houve épocas históricas e grupos sociais que pautaram sua conduta pelo permissivismo ético na área sexual.
A Ideologia de Gênero pretende ser, e dá todas as provas demonstrativas dessa sua pretensão, o que todas as ideologias desconstrutivas querem ser: ditadora, tirânica, dominadora do pensamento e da liberdade humana.
Os seus ideólogos cederam diante da tentação mais presente na história da humanidade: a tentação de serem os árbitros do bem do mal.
Daí a periculosidade e a virulência dessa ideologia, quando ela penetra nas salas de aula das escolas brasileiras. Daí a sua nocividade quando ela atua nos espaços legislativos e judiciários. Daí a sua presença explosiva na área da mídia.
A Ideologia de Gênero não só destrói a família, não só desrespeita a dignidade do homem e da mulher, mas não dá espaço para a consciência humana julgar, com imparcialidade, o que é o bem e o mal em matéria da sexualidade humana.
O caminho para esclarecer e imunizar as inteligências das crianças e dos jovens, da classe política e dos professores, do povo e dos formadores da opinião pública começa pelo empenho constante dos pais e das pessoas de boa vontade em favor da formação extensa e profunda no conceito de natureza do homem e da mulher, do valor da paternidade e da maternidade, da grandeza e do papel social do casamento e da família, da necessidade de uma sociedade realmente humanizada e humanizadora.
Esse empenho formativo é o caminho mais eficaz para que a Ideologia de Gênero perca essa sua arbitrariedade orgulhosa, que a faz “dona” de uma visão progressiva do sexo nunca antes presente na história do mundo. Sem essa formação antropológica e humanitária, é muito fácil cair nas falácias dessa ditatorial ideologia.
“Deus os criou homem e mulher…”. Essa afirmação bíblica é o ponto de partida para se viver, com sabedoria e liberdade, a identidade sexuada e a orientação que dela se origina, e dar a luz que esclarecerá a inteligência das pessoas, que buscam conhecer quem são e quais suas dimensões mais valiosas.

Dom Antônio Augusto Dias Duarte

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: