Defeitos a se evitar na oração

Não desconfie do poder de Deus. Não reclame se ainda não alcançou uma graça. Acredite, Deus sabe o que é melhor para nós!

orarÉ a oração que nos deve santificar e não o contrário. Assim, não sabemos muito bem como afastar as imperfeições na oração.

Muitas almas oram e queixam-se de não obter as graças pedidas na oração. É sinal de que a sua oração não preenche as condições prescritas por nosso Senhor. A palavra de Deus, com efeito, não pode falhar: “Pedi e recebereis” (Jo 16, 24).

Algumas se iludem primeiro quanto ao que pedem. Deus não quer e não pode conceder senão as coisas que se relacionam com o nosso ultimo fim. Tudo o que está fora disto está fora de Deus e é, pois, nada ou pecado.

O fim da criação é a santificação das almas: Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade (Jo 17, 19).

Os bens temporais estão compreendidos na promessa de Deus, mas sob a condição de serem necessários ou úteis à salvação. Não é necessário, pois, pedir de uma maneira absoluta, mas sob a restrição expressa que eles nos ajudem a salvar e a santificar nossa alma.

Quem pode saber se sua saúde é mais favorável à salvação do que a doença, se o sucesso de uma empresa mesmo espiritual é mais vantajoso para o progresso da virtude, se uma vida longa é melhor para nossos interesses espirituais do que uma morte prematura?

Buscai, pois, primeiro o reino dos céus e uma vida santa, e o resto, isto é, os meios temporais necessários, ser-vos-ão dados por acréscimo: Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo (Mt 6, 33).

Quando a alma aprendeu a limitar seus pedidos aos bens de ordem sobrenatural, um novo escolho a espera.

Todos os meios sobrenaturais de santidade não são destinados indistintamente para todos. Deus não quer realizar em cada uma, no mesmo grau e da mesma maneira, todas as virtudes dos outros santos. Todos não devem ser anacoretas ou mártires ou apóstolos.

Por isso, não é necessário obstinar-se a querer tal graça particular, boa em si mesma, mas talvez inoportuna.

Muito mais sábio é simplificar sua oração, aplicar-se em obter a única coisa digna de ser desejada: o amor perfeito, o desapego completo de todas as coisas criadas, a perfeita reprodução de nosso Senhor em nossa alma.

Contudo, Deus às vezes pode querer que peçamos tal graça especial. Então nos indicará sua vontade de uma maneira qualquer ou por uma inspiração ou por uma advertência exterior, ou pela obediência.

Certas almas pedem unicamente as coisas sobrenaturais úteis à perfeição. Além disso, na sua oração, não prescrevem a Deus tal graça antes que tal outra, mas somente o amor perfeito. E, contudo, sua oração não está ainda sem defeito.

Essas almas compreendem a santidade de uma maneira de terminada, em conformidade com os seus gostos, com o seu temperamento, com as suas luzes ou ideias.

Se não percebem progresso no que acham ser o único caminho para Deus, admiram-se, inquietam-se e duvidam.

É sinal de uma grande mesquinhez de vista querer impor a Deus a maneira de santificar-nos, marcar lhe métodos e examinar ansiosamente se Ele se conforma com nossos planos de santidade.

E quantas decepções semelhante alma não vê na sua vida de oração!

Deus não deve nem nos pedir conselho, nem adaptar-se aos nossos curtos horizontes humanos. Devemos deixa-los livre e entrega-lhe a escolha dos meios que nos devem conduzir a ele.

Peçamos simplesmente que nos santifique tratando de cumprir, com seu auxilio, nosso dever, de levar nossa cruz de cada dia e entregamos o resto á sua solicitude: Lançai em Deus vossos cuidados e Ele vos nutrirá (Sal 54, 23).

Quando a alma se entrega assim a Deus sem nunca cessar de pedir humildemente a santidade, pode ter a certeza de alcançá-la.

Deus não prometeu ouvir-nos à nossa maneira, mas à sua. Do mesmo modo, não acrescentou que nos ouviria no momento por nós fixado, mas naquele que sua sabedoria e bondade julgassem mais conformes à sua glória e ao nosso bem.

Nova ilusão e nova fonte de decepções para certas almas de vistas curtas! São semelhantes a crianças caprichosas. Quando Deus não ouve no momento seus pequenos desejos, lamentam-se e inquietam-se.

Quando lhe agradaria mais, se confiassem em sua bondade, se lhe dessem completa liberdade de escolher o tempo em que as ouviria.

Aliás, quem ousaria forçar o divino Mestre e dar-nos a perfeição do amor desde o começo da vida espiritual? A santidade é uma obra de grande duração. É necessário muito tempo antes de ficar bastante desapegado de si mesmo e das criaturas, para aceitar completamente a direção de Jesus Cristo.

Vários, sem prescreverem o tempo nem a maneira de serem ouvidos, querem ao menos verificar, por seu juízo, se foram ouvidos por Deus. Trata-se uma desconfiança escondida, uma dúvida ao menos esboçada sobre a fidelidade de Deus às suas promessas.

Durante esta vida, não devemos ver, mas crer que Jesus nos ouve, pois Ele disse que seria assim. Do contrário, onde estaria a nossa fé?

Acreditemos em Jesus Cristo. Não é a sua palavra digna de confiança? Não investiguemos se certas orações nossas talvez não tenham sido ouvidas.

Creiamos com fé inabalável que toda oração, na medida em que é oração, humilde e confiante, é atendida infalivelmente, mesmo se a nossa razão humana não o compreender.

Deus reserva para si fazer-nos claramente compreender, no céu, o que nos propõe aqui na terra pela fé. No céu, veremos admirável maneira com que nos conduziu durante nossa peregrinação terrestre.

Quando, pois, tivermos feito um pedido, não nos preocupamos mais senão em renová-lo. Deus encarrega-se de atendê-lo da maneira e no momento que escolheu. E se temos confiança n’Ele, o atenderá sempre mais magnificamente do que o teríamos podido esperar.

Como o egoísmo e o cálculo desagradam a Deus!

Tantas almas querem tomar cautelas contra o próprio Deus, contra o Deus que as criou e resgatou, que lhes deu tudo até esta minúscula razão que lhes permite duvidar de sua bondade.

Consideram sempre a perfeição como tarefa sua e não de Jesus Cristo. Creem-se obrigadas a examinar constantemente sua ação com medo de s erem um dia enganadas. Não compreendem que, por seu cálculo e sua prudência humana, impedem o bom Mestre de ser generoso para com elas e de acabar nelas sua obra de amor.

Texto retirado do livro: Almas Confiantes, José Schrijvers. Editora Cultor de Livros 

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