Papa pede perdão por falhas da Igreja no genocídio em Ruanda

Em audiência com presidente do país, Francisco destacou que genocídio em Ruanda deturpou a face da Igreja

O Papa Francisco renovou o pedido de perdão a Deus pelas falhas da Igreja católica cometidas na época do genocídio em Ruanda, em 1994, que massacrou cerca de 800 mil pessoas no país. Ao receber em audiência o presidente de Ruanda, Paul Kagame, nesta segunda-feira, 20, o Papa considerou que o genocídio deturpou a face da Igreja.

Durante a audiência, Francisco manifestou a sua profunda dor, bem como da Santa Sé e de toda a Igreja, pelo genocídio contra os tutsis, minoria no país. Ele expressou sua solidariedade às vítimas e a quantos continuam sofrendo as consequências daqueles trágicos acontecimentos.

Em harmonia com o gesto realizado por São João Paulo II durante o Grande Jubileu do ano 2000, Francisco renovou hoje o pedido de perdão a Deus pelos pecados e falhas da Igreja e de seus membros, entre os quais sacerdotes, religiosos e religiosas que cederam ao ódio e à violência, traindo a própria missão evangélica.

“O Papa desejou que tal humilde reconhecimento das faltas cometidas naquela circunstância, as quais, infelizmente, deturparam a face da Igreja, contribua, também à luz do recente Ano Santo da Misericórdia e do Comunicado publicado pelo episcopado ruandense por ocasião do seu fechamento, para purificar a memória e promover com esperança e renovada confiança um futuro de paz, testemunhando que é concretamente possível viver e trabalhar juntos quando se coloca no centro a dignidade da pessoa humana e o bem comum”, informa um comunicado sobre o encontro emitido hoje pela Santa Sé.

Outros assuntos em pauta

Na reunião, Francisco e Paul Kagame também falaram das boas relações entre a Santa Sé e Ruanda. Destaque para o caminho de retomada para a estabilização social, política e econômica do país, mencionando a colaboração entre o Estado e a Igreja local na obra de reconciliação nacional e consolidação da paz em benefício de toda a nação.

Não faltou na audiência menção à situação política social e regional, com atenção a alguns países atingidos pelos conflitos ou calamidades naturais. Um ponto de preocupação foi o grande número de refugiados e de migrantes necessitados da assistência e do apoio da comunidade internacional e dos organismos regionais.

Após o encontro com o Santo Padre, Kagame se reuniu com o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, acompanhado do secretário para as Relações com os Estados, Dom Paul Gallagher.

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