Por que foi necessário o sacrifício de Cristo?

O sacrifício de Cristo foi necessário para o perdão dos nossos pecados. A grande tentação que Ele sofreu do demônio, foi a de rejeitar a vontade do Pai. Mas Cristo resistiu até o fim, e bebeu o cálice da Paixão até a última gota para nos salvar. Quando Pedro o quis livrar da cruz, ele lhe disse: “afasta-te de mim Satanás, pois os teus pensamentos não são os de Deus”. E no Horto das Oliveiras ele suplicou ao Pai que afastasse dele aquele Cálice de dor, mas pediu que fosse feita a Sua vontade.

Diante do sacrifício de Cristo, não devemos olhar o Pai como um carrasco a exigir a morte do Filho amado, não. De um modo misterioso para nós, o Sacrifício de Jesus satisfez a Justiça de Deus Pai, porque por seu sacrifício o plano original para a humanidade foi restaurado; a Justiça de Deus foi satisfeita; Alguém pagou o preço das nossas faltas, e agora podemos nos apresentar diante de Deus, reconciliados. Deus é Pai, mas não é paternalista, como um pai que não faz conta dos erros dos seus filhos, burlando a justiça, não. A Justiça perfeita de Deus exige que o mal seja reparado, da mesma forma que nós fazemos com os que cometem crimes.

Para entender o sacrifício de Jesus para a remissão dos pecados da humanidade, é preciso entender que uma ofensa tem a sua gravidade de acordo com a honra da pessoa ofendida; assim, um tapa dado no rosto de um irmão é menos grave do que o mesmo tapa dado no pai ou na mãe, porque a honra desses é maior. Agora, imagine se esse tapa for dado no rosto de Deus; a sua gravidade torna-se Infinita, porque a honra e a majestade de Deus são infinitas. Dessa forma, quando o homem pecou contra Deus, ele não pôde mais resgatar a sua culpa diante da Justiça de Deus, porque a sua culpa se tornou infinita. O Catecismo da Igreja diz que: “nenhum homem, ainda que o mais santo, tinha condições de tomar sobre si os pecados de todos os homens e de oferecer-se em sacrifício por todos” (§ 616).

Como, então, nenhum homem poderia oferecer a Deus um sacrifício (Infinito) que fosse suficiente para pagar pelos pecados dos homens, então, Jesus, no seu amor, assumiu esta missão. O Verbo de Deus bendito apresentou-se para assumir a nossa natureza e nos salvar, pois, Ele sendo Deus poderia, como homem, oferecer a Deus um sacrifício de valor Infinito, e restaurar a ofensa infinita que nossos pecados provocaram contra Deus:

“Eis porque, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste nem sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então, eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro) venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7s)” (Hb 10, 7). O nosso Catecismo explica, então:

“A existência em Cristo da Pessoa Divina do Filho, que supera e, ao mesmo tempo, abraça todas as pessoas humanas, e que o constitui Cabeça de toda a humanidade, torna possível o seu sacrifício redentor por todos” (§ 617).

É exatamente esse Sacrifício de Cristo, que não envelhece e não caduca, que é oferecido na Santa Missa, repito, não multiplicado ou repetido, mas atualizado; tornado presente; não é uma nova paixão do Senhor, é a mesma e única.

A Igreja explica que a morte violenta de Cristo não foi o resultado do acaso num conjunto infeliz de circunstâncias. Ela faz parte do mistério do projeto de Deus, como explicou São Pedro no dia de Pentecostes: “Ele foi entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus” (At 2,23). Mas isto não significa que “os que tinham entregues Jesus a morte tenham sido apenas executores passivos de um roteiro escrito de antemão por Deus” (Cat. §599). Cada um que cooperou para a morte de Cristo, agiu com toda liberdade e responsabilidade, e ninguém foi obrigado a participar disso.

O Catecismo explica que: “Para Deus, todos os momentos do tempo estão presentes em sua atualidade. Ele estabelece, portanto, seu projeto eterno de “predestinação” incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça” (§600). Isto deixa claro que não existe “o destino” do qual nós seríamos escravos.

O Senhor Jesus se ofereceu em nosso lugar. Assim como aquele cordeiro substituiu Isaac no sacrifício de Abraão, da mesma forma Cristo, o Cordeiro de Deus, nos substituiu na cruz. O profeta Isaias soube exprimir isto muito bem:

“Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagados por nossas iniquidades; o castigo que nos salva estava sobre ele; fomos curados graças às suas chagas” (Is 53,4-5).

O sacrifício de Jesus Cristo foi único e suficiente. “Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício (…). Por uma só oblação Ele realizou a perfeição definitiva daqueles que recebem a santificação” (Hb 10,12-14). Já não é mais necessário novos sacrifícios. Cristo morreu uma só vez, e ressuscitou ao terceiro dia, e hoje no céu, intercede por nós diante de Deus.

O Papa João Paulo II disse: “Ao celebrarmos o sacrifício do Cordeiro unimo-nos à liturgia celeste, associando-nos àquela multidão imensa que grita: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” (Ap 7,10). A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço do Céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho” (EE,19).

Não se trata da mera comemoração de um passado já extinto, mas sim de um “zikkarôn”, isto é, de um “memorial”. E Jesus Cristo ordenou aos Apóstolos, que fizessem isso em memória dele. O termo utilizado pelos evangelistas, e que traduzimos por “memória” é “anamnese”. Esta palavra não quer dizer uma simples memória (mnemone), mas um recordar, tornando presente o mesmo acontecimento. Então, a santa Missa, faz memória do sacrifício de Cristo, tornando-o presente. Na Santa Ceia Cristo fez uma antecipação do seu sacrifício, na santa Missa Ele o perpetua.

O Papa João Paulo II explica o sentido da santa Missa com precisão: “A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica. O que se repete é a celebração memorial, a “exposição memorial” (memorialis demonstratio), de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se atualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário” (EE, 12).

O Catecismo da Igreja resume tudo dizendo:

Na Missa “é Cristo mesmo, sumo sacerdote eterno da nova aliança, que agindo pelo ministério dos sacerdotes, oferece o sacrifício eucarístico. E é também o mesmo Cristo, realmente presente sob as espécies do pão e do vinho, que é a oferenda do Sacrifício Eucarístico” (§1410).

“A Missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrificial no qual se perpetua o sacrifício da Cruz, e o banquete sagrado da comunhão ao Corpo e ao Sangue do Senhor” (Cat. §1382).

Quem de nós não desejaria poder estar lá em Jerusalém, no Calvário, aos pés da cruz do Senhor que morria para nos salvar! Ora, em cada Missa temos esta oportunidade; se não vemos a cena com os olhos da carne, o vemos com os olhos da fé. Torna-se presente o mesmo e único Sacrifício do Senhor, de maneira incruenta, Ele não sofre mais, mas está ali em estado de eterna Vítima que se oferece por nós. O que foi a Cruz no Calvário, é o altar na Santa Missa.

O sacerdote atua “in persona Christi”, instituído pelo Sacramento da Ordem, que o faz participar do poder e da dignidade do único e eterno Sacerdote, Jesus Cristo.

“O sacrifício redentor de Cristo é único, realizado uma vez por todas. Não obstante, tornou-se presente no sacrifício eucarístico da Igreja. O mesmo acontece com o único sacerdócio de Cristo: tornou-se presente pelo sacerdócio ministerial, sem diminuir em nada a unicidade do sacerdócio de Cristo” (Cat. §1545).

Qualquer que seja o celebrante, se ele for legítimo sacerdote da Igreja, a santa Missa tem o mesmo valor. Não importa a cultura ou o grau de santidade do sacerdote, importa apenas a sua intenção e legitimidade.

Sobre isto dizia o grande doutor da Igreja, São João Crisóstomo:

“Quero acrescentar uma coisa verdadeiramente estupenda, mas não vos espanteis nem vos perturbeis. Que coisa é? A oblação é a mesma, seja quem for o oferente, chame-se ele Pedro ou Paulo; é a mesma que Jesus Cristo confiou aos discípulos e agora realizam os sacerdotes: esta última não é menor que a primeira, porque não são os homens que a tornam santa, mas Aquele que a santificou. Como as palavras pronunciadas por Deus são exatamente as mesmas que agora diz o sacerdote, assim a oblação é também a mesma” (In Epist. 2. ad Tim., hom. 2,4).

Retirado do livro: “O Segredo da Sagrada Eucaristia”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

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