É no lar que se constrói a felicidade

Happy beautiful family dancing on the beach on the dawn time.

“Os momentos mais felizes da minha vida foram aqueles poucos que pude passar em minha casa, no seio de minha família.” (Thomas Jefferson, ex-presidente dos EUA)

A maior alegria é colhida, a cada dia, na família.

Eu não trocaria por nada toda a vida que vivo e que vivi em meio aos meus familiares. A alegria de gerar os filhos, educá-los e conviver com eles faz a nossa maior felicidade.

Infelizmente, muitos estão enganados pensando que podem buscar a felicidade fora do lar. Nada nos faz tão felizes como aquilo que construímos com a nossa vida, com a nossa luta e com a nossa dedicação.

A realidade que mais nos aproxima da ideia do paraíso é o nosso lar. Um homem não pode deixar ao mundo uma herança melhor do que uma família bem criada.

Alguém disse que o mundo oferece aos homens e aos pássaros mil lugares para pousar, mas apenas um ninho. Um homem que não for feliz no lar, dificilmente o será em outro lugar.

Leon Tolstói disse: “a verdadeira felicidade está na própria casa. Entre as alegrias puras da família e o carinho da pessoa amada é que somos felizes”.

A família é o nosso complemento. Nela somos um indivíduo reconhecido e amado; não apenas um número de RG ou CPF.

É no seio da família que cada pessoa faz a experiência própria do que seja amar e ser amado, sem o que jamais será feliz.

Sem dúvida, a maior tragédia do mundo moderno é a destruição da família. As separações arrasam os casamentos e as famílias. Os filhos pagam o preço da separação dos pais. Quando as famílias eram bem constituídas, não havia tantos jovens envolvidos com drogas, com a violência, depressão, homossexualidade e outros males.

Mais do que nunca o mundo precisa de homens e mulheres dispostos a constituir famílias sólidas, edificadas pelo matrimônio, onde os esposos vivam a fidelidade conjugal e se dediquem de corpo e alma ao bem dos filhos. É isso que dá felicidade ao homem e à mulher.

Infelizmente, uma mentalidade consumista, egoísta e comodista toma conta do mundo e das pessoas cada vez mais, impedindo-as de terem filhos e famílias sólidas.

Ora, é preciso entender que não há, na face da Terra, algo mais nobre e belo que um homem e uma mulher possam fazer do que gerar e educar um filho. Nada pode ser, nem de longe, comparado à vida humana.

Nem toda riqueza que há debaixo da terra vale uma só vida humana, porque esta é criada à imagem e semelhança de Deus, dotada de inteligência, liberdade, vontade, consciência, capacidade de amar, cantar, sorrir e chorar. O que pode ser comparado a isto?

A felicidade do lar está também no relacionamento saudável, fiel e amoroso dos cônjuges. Sem fidelidade conjugal a família não se sustenta; e esta fidelidade tem um alto preço de renúncia às tentações do mundo, mas produz a verdadeira felicidade. Tudo que é bom tem um preço.

A grande ameaça à família é a infidelidade conjugal. Muitos maridos e esposas se traem e trazem para dentro do lar a infelicidade própria e a dos filhos. Saiba que isto não compensa jamais. Não destrua em pouco tempo, e por um prazer efêmero, aquilo que foi construído em anos de luta. Se você destruir a sua família estará destruindo a sua própria felicidade.

Marido e mulher precisam viver um para o outro e ambos para os filhos. Um poeta disse que “viu a mulher na mão do homem como uma harpa que ele não sabia tocar, e ouviu-o queixar-se, porque os sons não eram melodiosos”.

A felicidade do casal pode ser muito grande, mas isto depende de que ambos vivam a promessa do amor conjugal. Amar é construir o outro, ajudá-lo a crescer, a vencer seus problemas. Amar é construir alguém querido com o preço da própria renúncia. Quem não está disposto a este sacrifício nunca saberá o que é a felicidade de um lar.

Na visão bíblica, homem e mulher são chamados a, juntos, continuar a ação criadora de Deus, e a construção mútua de ambos. Só ao casal humano deu a inteligência para ver, a liberdade para escolher, a vontade para perseverar e a consciência para ouvir continuamente a Sua Voz.

Desde que existe a humanidade existe o casal humano, homem e mulher; e existe a família, e ninguém jamais a pôde ou poderá destruir, pelo fato de que ela é divina.

Vemos aí também a dignidade, baseada no amor mútuo, que levam o homem e a mulher a deixarem a própria casa paterna, para se dedicarem um ao outro totalmente. Este amor é tão profundo, que dos dois faz um só, “uma só carne”, para que possam juntos realizar um grande projeto comum.

Na Missa que o Papa João Paulo II celebrou na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, em outubro de 1997, ao comentar a presença de Jesus e de Maria nas Bodas de Caná, disse:

“Não será legítimo ver na presença do Filho de Deus, naquela festa de casamento, o indício de que o matrimônio haveria de ser o sinal eficaz de sua presença?”

Isto nos faz entender que a celebração do sacramento do matrimônio é garantia da presença de Jesus no lar ali nascente. Como é doloroso perceber hoje que muitos jovens, nascidos em famílias católicas, já não valorizam mais este sacramento, e acham, por ignorância religiosa, que já não é importante subir ao altar para começar uma família!

Para entender a importância da família, basta lembrar que o Filho de Deus, quando desceu do céu para salvar o homem, ao assumir a natureza humana, quis nascer numa família. Ele entrou em nossa história pela família.

É muito significativo ainda que “o primeiro milagre” de Jesus tenha sido realizado nas bodas de Caná (Jo 2), onde nascia uma família. Tendo faltado o vinho na festa, sinal da alegria, Ele transformou água em vinho, a pedido de sua Mãe – 600 litros de água em vinho da melhor qualidade.

Como será possível, num contexto de imoralidade, insegurança, ausência de pai ou mãe, garantir aos filhos as bases de uma personalidade firme e equilibrada, e uma vida digna, com esperança?

Fruto do permissivismo moral e do relativismo religioso de nosso tempo, é enorme a porcentagem de casais que se separam, destruindo as famílias e gerando toda sorte de sofrimento para os filhos. Muitos crescem sem o calor amoroso do pai e da mãe, carregando consigo essa carência afetiva para sempre. Como disse o Papa João Paulo II aqui no Brasil em 1997: “No Brasil, por causa do “amor livre” há milhares de filhos órfãos de pais vivos”.

A família é uma escola de amor, porque a convivência diária obriga a acolher os outros com respeito, diálogo, compreensão, tolerância e paciência. Este exercício forte de vivência das virtudes faz cada um crescer como pessoa humana. Mas tudo isso depende do casal, do casamento.

É o amor dos esposos que gera o amor da família e que produz o “alimento” e o “oxigênio” mais importante para os filhos. Na Encíclica Redemptor Hominis, o Papa João Paulo II disse algo marcante:

“O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo próprio, se nele não participa vivamente.” (RH,10)

O amor é mais forte do que a morte e é capaz de superar todos os obstáculos para construir o outro. Assim se expressa o Cântico dos Cânticos: “…o amor é forte como a morte… Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina. As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir” (Ct 8,6-7).

O teatrólogo cristão Paul Claudel resumiu de maneira bela a grandeza da vida do casal:

“O amor verdadeiro é dom recíproco que dois seres felizes fazem livremente de si próprios, de tudo o que são e têm. Isto pareceu a Deus algo de tão grande que Ele o tornou sacramento.”

Retirado do livro: “Problemas no Casamento”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

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