As armadilhas do diabo

Mary-Anne-Enriquez-CC

Sabia que o demônio pode usar até sua oração para afastá-lo de Deus? Saiba como defender-se

O que é a tentação? A tentação é a ação de Satanás para levar você ao inferno. E ele pode lê-lo como um livro; então, não exagere seu poder, mas tampouco o subestime.

Algumas das suas ações mais sutis ocorrem no âmbito da prática religiosa, na qual ele consegue se camuflar de maneira muito fácil, usando a pele devota do cordeiro, mas, lobo como é na realidade, ele a distorce, por excesso ou por defeito, destruindo a pessoa com algo que é bom.

Então, é preciso estar atento ao que alguns escritores espirituais chamam de “armadilhas para beatos”.

Vejamos um exemplo:

Você pode se desanimar com a oração, dizendo: “Se eu rezasse um pouco mais, Deus me daria o que busco”. Mas o engano é que, ainda que rezemos mais, nunca rezaremos o suficiente.

E assim, dado que nunca teremos rezado o bastante, a oração se torna cada vez mais uma tarefa pesada; Deus parece um tirano cruel que pede orações mais longas e precisas, e a oração se transforma em um esforço supersticioso cujo resultado controlamos de alguma maneira, com a duração e o tipo de oração que fazemos.

Jesus nos diz que o Pai sabe do que precisamos e que não deveríamos pensar que são necessárias muitas palavras e ações piedosas. Podemos precisar perseverar na oração no tempo, mas Deus não é um tirano cruel que pede rituais infinitos.

Satanás pode aproveitar a sua prática de rezar o terço ou de assistir à missa diária, ou outras devoções, e insinuar lentamente um sentimento de superioridade, elitismo ou orgulho.

Gradualmente, você pode começar a pensar que os outros são menos devotos, inclusive que estão no erro, porque não fazem ou não observam o que na realidade é opcional e recomendado, mas não imprescindível. O que é belo e santo acaba sendo, assim, utilizado para incitar o orgulho e um cinismo crescente.

Uma forma extrema disso vem daqueles que, valendo-se da belíssima e poderosa devoção a Nossa Senhora de Fátima, permitem que Satanás os faça rebelar-se contra o Papa e todos os bispos do mundo, afirmando que fracassaram ao consagrar adequadamente a Rússia.

E, assim, uma das nossas aparições mais belas e instrutivas pode suscitar em algumas pessoas desconfiança com relação à Igreja e desunião dentro dela, com relação aos papas e inclusive à Irmã Lúcia. É uma ação surpreendentemente astuta do maligno utilizar o que é bom e religioso e corrompê-lo na mente de algumas pessoas.

O demônio pode também usar os mandamentos e transformá-los em uma espécie de minimalismo religioso, uma maneira de manter Deus bem distante.

Assim, tenta algumas almas com a noção de que a missa dominical e algumas poucas orações feitas com pressa são a finalidade da religião, e não o seu começo. A observância se torna uma forma de “cumprir a lista de obrigações” e estar bem com Deus a semana inteira, e não apenas uma base sobre a qual se constrói uma relação de amor bela e cada vez mais profunda com Ele.

Estas práticas mínimas se tornam uma forma de “controle divino” para aqueles que caem nessa tentação. É como dizer: “Eu fiz o que tinha de fazer, e agora Deus e a Igreja que me deixem em paz; Deus agora tem que cuidar de mim, porque eu fiz tudo o que Ele me pediu”.

E, assim, as belíssimas leis da Igreja, as regras que descrevem os deveres fundamentais ou a base de uma relação mais profunda com Deus, se tornam uma espécie de “acordo de separação”, que insiste em horários de visita muito rígidos e especifica quem fica com cada coisa.

O diabo também pode usar o zelo religioso e corrompê-lo em atitude rígida e não caridosa. Pode usar o amor pela beleza da liturgia, antiga ou nova, e transformá-lo em uma insistência minuciosa nos ingredientes justos, às custas da caridade, com falsa superioridade e divisão.

E assim, afastada a caridade, dizemos: “Garanta que a celebração da liturgia será do jeito que eu gosto. Quem não gosta desse jeito é antigo, inepto, troglodita, e certamente odeia a Igreja à qual eu tanto amo”.

O demônio pode usar o belíssimo amor aos pobres e corrompê-lo em um paternalismo escravizador, que os fecha na dependência ou que não enfrenta suas necessidades espirituais.

E, assim, as belíssimas obras corporais de misericórdia ou se separam das obras espirituais ou se acha que são suficientes em si mesmas. Satanás pode enviar muitos a servir os pobres armados de meias verdades e pontos de vista que se limitam a vendar feridas sem curá-las.

De certa forma, todas as virtudes são necessárias. O diabo pode usar cada uma delas e tentará corromper todas, inclusive as religiosas. Ninguém está a salvo da sua obra de tentação. Seu objetivo é levar-nos ao inferno.

O que torna esta obra de corrupção da virtude tão insidiosa é a sutileza da sua ação, porque ele pega algo que é intrinsecamente positivo e tenta corrompê-lo, por excesso ou por defeito, ou transformá-lo em uma espécie de caricatura.

As virtudes, obviamente, devem estar em sintonia com outras virtudes que as equilibrem. A caridade deveria estar equilibrada com a verdade, e a verdade, com a caridade. Sem caridade, a verdade pode ser angustiante; sem verdade, a caridade pode ser prejudicial, paternalista. A caridade e a verdade devem se equilibrar e agir unidas a outras virtudes, em uma delicada interação.

Uma das táticas de Satanás é pegar uma virtude e isolá-la das outras. Fique atento diante dessas táticas sutis do demônio, que se camufla bem na aparência de virtude – mas são virtudes separadas entre si, sem equilíbrio nem proporção.

Pe. Charles Pope

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