Saiba a força da oração de intercessão

A palavra “interceder” pode ser entendida como a ação de alguém que se interpõe, por isso se faz “intercessor”. O intercessor desempenha o papel de defesa, como um advogado, numa briga, tentando promover a conciliação.

Para ilustrar, relato aqui uma experiência pessoal muito dolorosa: no colégio em que estudava, havia um menino com traços bem afeminados. Por conta de sua fragilidade, vários garotos abusavam dele. Ao fim de um dia de aula, quando saímos do colégio, surgiram alguns garotos para “pegá-lo”, e nós, colegas, já sabíamos que a intenção não era nada boa. O menino, naturalmente, tentava escapar, porém os garotos usavam de força física, puxando-o pelo braço para levá-lo.

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Como também era franzino, não tinha capacidade física suficiente contra a força daqueles malfeitores, e meu coração se partiu quando imaginei o que fariam com o pobre menino. Minha vontade era de me colocar no meio, intervir na situação, usar minha força para afastar aqueles garotos e proteger o menino, ficando na frente dele. O problema era que, naquele tempo, eu não tinha coragem nem força física, portanto, não conseguiria resolver nada.

A intercessão é, essencialmente, uma atitude. Diante da necessidade daquele menino, o meu desejo era de me colocar entre ele e os seus inimigos, impedindo o confronto. Essa é a atitude do intercessor: alguém que se põe no meio, que se envolve, que corre o risco, que paga o preço.

Certamente, se naquela ocasião eu me colocasse na frente dos garotos, receberia murros e pontapés – e quem é intercessor recebe mesmo. Voltaria para casa com cicatrizes e machucados, mas vitorioso, feliz por não ter permitido aquele confronto.

A intercessão é uma briga com inimigos. O que aqueles garotos pretendiam fazer com o menino é muito pouco se compararmos com aquilo que o inimigo quer fazer com os cristãos.

Esse relato foi apenas para ilustrar o papel do “intercessor”, já que nossa percepção é pequena quando pensamos em sua função. O intercessor se prostra diante do Senhor e reza, mas não apenas isso. Sem dúvida, a oração é a condição mais importante, mas é de capital importância que entendamos qual deve ser a verdadeira atitude do intercessor.

O intercessor é alguém que “se move para o meio”, lembrando que o próprio verbo “mover” faz supor a ação de alguém que se comove com a situação.

Na situação da minha infância, minha vontade era gritar: “Não! Esse garoto vocês não levam! Podem me bater, machucar, mas este garoto vocês não levam!”.

Essa é a atitude do intercessor: de tal maneira, seu coração fica tocado pela situação do outro que se coloca no meio. Trazendo a explicação para o nosso cotidiano, o intercessor, ante a necessidade de outra pessoa, coloca-se entre Deus e a pessoa, exercendo o papel de advogado. Como num júri, o réu não pode nem deve dizer nada, apenas permanecer calado, pois seu porta-voz é o seu advogado, que pode e sabe como falar. Chegamos, porém, à conclusão de que, como intercessores, não sabemos nos colocar nem defender a outra pessoa, ou seja, ficamos sem saber o que fazer, por isso recorremos a Deus.

Canção Nova / por Monsenhor Jonas Abib

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