Ser humano não foi feito para a guerra

Papa a voz dos trabalhadores continua ressoando na Igreja 17.07.17

Papa no encontro com os trabalhadores, na Sala Paulo VI – OSS_ROM

 A Paz: compromisso permanente

Os números da morte são impressionantes. No primeiro grande conflito mundial, entre 1914 e 1917 morreram aproximadamente 17 milhões de pessoas, entre soldados e civis. O segundo grande conflito mundial, entre 1939 e 1945, ceifou a vida de 55 milhões de pessoas.

Após 1945, aconteceram poucos conflitos armados internacionais onde se enfrentaram exércitos nacionais clássicos e estruturados, como nas duas grandes guerras. No entanto, calcula-se que perto de 100 milhões de pessoas morreram no século passado, vítimas da guerra.

Em vista do momento em que vivemos, com o crescimento dos conflitos envolvendo nações e regiões, assim como com o avanço do terrorismo promovido pelo Estado Islâmico, bem como com a ameaça de guerra entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, faz-se necessário rezar, pedir, educar e apostar na paz.

Hoje, mais do que nunca, é necessário ouvirmos a Boa Nova do Evangelho que diz: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5,10) ”.

A Paz é possível

Santo Agostinho afirmou que pode haver paz sem nenhuma guerra, mas não há guerra sem a paz, pois ao menos os combatentes de ambos os lados devem viver em paz entre si, se não iriam matar uns aos outros (De Civitate Dei, XIX, 13).

Portanto, a guerra é como um parasita, que não existe por si mesmo, mas sim em simbiose com quem lhe dá sustento. Se lhe suprime (a quem a sustenta), mataria a si mesmo. Isso significa que a guerra jamais suprime totalmente a paz, pois mesmo em uma situação de guerra, supõe-se a paz dentro das partes beligerantes. Disso resulta que a guerra não é o absoluto da existência, ou seja, não é o primeiro do qual essa toma forma, mas a sua negação.

Crer na paz significa professar que a paz somente pode ser obtida pela paz. Como Santo Agostinho queremos afirmar a superioridade do verbum (diálogo) sobre o ferrum (espada), para que os conflitos sejam solucionados pacificamente.

Ao contrário de Tomas Hobbes na filosofia moderna que afirmou que “o homem é lobo do homem”, a Doutrina social da Igreja ensina que o ser humano é naturalmente sociável, isto é, sua índole é viver pacificamente em sociedade.

Por isso, Santo Tomas de Aquino diz que os seres humanos em sociedade se comportam não como feras, mas como amigos, em um tipo de “amizade cívica” ou “amor social”, pois a vida seria impossível se cada um considerasse o outro como um potencial inimigo.

Educar para a Paz

Cremos que as pessoas podem ser educadas para a paz, pois ela lhes é natural, inerente à sua natureza. O ser humano não foi feito para a guerra. Para fazê-la, ele precisa ser treinado em quartel. Matar não é natural ao ser humano. Ele não tem garras e defesas naturais, como os animais. Por isso, fabrica armas e tem que aprender a usá-las.

A causa da paz merece que acreditemos nela. É preciso apostar e educar para ela, investindo na índole pacifica do ser humano. Sobretudo o cristão crê na paz, pois ele a recebeu como dom e deve reparti-la com todos (Lc 10,5). Como magnificamente escreveu Pe. Mariano Weizenmann, “para os cristãos, viver em paz não é apenas um dom; é também uma tarefa. E se a paz fracassar no mundo, não deve ser por culpa dos cristãos” (Revista Teologia em Questão, 2002/1, p.55).

Canção Nova / Padre Antonio Aparecido Alves

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