Blog Comunidade Mãe Imaculada

Edições CNBB oferece curso online sobre a Campanha da Fraternidade 2018

A editora Edições CNBB disponibilizou neste mês de janeiro um curso online e gratuito em preparação para a Campanha da Fraternidade (CF) de 2018. A edição da CF deste ano tem como tema “Fraternidade e superação da violência” e lema “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).

Curso-online-CF-2018Voltada para padres, diáconos, coordenadores pastorais diocesanos, agentes pastorais e lideranças, a formação quer oferecer melhor compreensão da essência da proposta da CF 2018 e, de forma prática, dar indicações para aplicação na vida paroquial. “O Curso Campanha da Fraternidade 2018 nasce como uma proposta para auxiliar as comunidades paroquiais na promoção desta importante iniciativa realizada pela Igreja no Brasil”, informa a editora.

Para melhor compreensão da CF, a formação propõe uma “exploração maior do potencial de transformação social, catequese e pastoral e sugere um envolvimento maior daqueles que são os protagonistas da ação: os fiéis”.

“A proposta de prepararmos um curso online sobre a Campanha da Fraternidade parte da necessidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se comunicar também pelas mídias sociais”, conta o secretário executivo de Campanhas da entidade, padre Luís Fernando da Silva. “Nós percebemos que a CF atinge vários públicos com seus materiais, seus subsídios, na sua maioria escritos. Mas se faz necessário atingir o público que está nas mídias, nas redes sociais”, informa, lembrando que o desejo é que as pessoas tenham conhecimento da campanha e possam multiplicá-la nos vários ambientes para, assim, atingir novas pessoas.

De acordo com a proposta, são oito vídeos “curtos e objetivos” nos quais padre Luís Fernando da Silva, que ministra o curso, “aponta luzes e caminhos sobre o tema, que é tão sensível à realidade de todos nós”. Além dos vídeos, o participante receberá material de apoio para o itinerário do curso que ainda pretende dar dicas práticas para comunicar a mensagem da Campanha e superar a violência nos mais diversos contextos sociais.

“O curso ajuda a mensagem da campanha chegar no coração das pessoas. Não é uma reflexão meramente intelectual, ela convida para uma práxis. Neste ano, cada pessoa é convidada a superar a violência direta, cultural e também a lutar pela justiça social para superar a violência estrutural que se instaura no Brasil hoje”.
Padre Luís Fernando da Silva

Confira a ementa do curso:

  1. O que é a Campanha da Fraternidade?
    2. CF 2018 “Fraternidade e Superação da Violência – Parte 1
    3. CF 2018 “Fraternidade e Superação da Violência – Parte 2
    4. A violência nas Sagradas Escrituras
    5. Novo testamento: Jesus anuncia o Evangelho da reconciliação e da paz
    6. Igreja X Violência – Porque precisamos nos envolver
    7. Ações práticas para superar a violência nas nossas comunidades
    8. Dicas práticas para comunicar a mensagem da Campanha da Fraternidade.

Para se inscrever, clique aqui.

CNBB

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Quem ama não conhece nada que seja difícil

Agora sim entendi o que é uma verdadeira “prova de amor”

am“Amor” é uma palavra muito usada. Como se diz aqui na Bahia, muito “manjada”. Ela está na boca de todos, dos santos e dos pecadores. Na boca do pobre, do rico, do amigo, do adúltero, do estuprador, do assassino, etc. Então, como saber se o AMOR é verdadeiro ou só da boca pra fora???

Vamos começar do começo. Uma das coisas mais difíceis para quem ama de verdade, chama-se DISTÂNCIA. Quem ama, quer estar perto. Prova disso é que a morte sempre traz um sentimento horrível, pois é a separação corpórea de duas pessoas que se amam. O amor não suporta a ausência. Santo Afonso dizia: “O amor exige união”.

Um exemplo: o Padre só será feliz no seu ministério se amar Jesus verdadeiramente. Se o amor por Cristo for apenas uma encenação, logo ele irá se cansar da Missa, a oração lhe causará tédio. Se o amor for real, quão feliz ele será.

Jesus, antes de voltar para o seu amado Pai, deixou para nós a EUCARISTIA, sua Presença Real nas espécies do Pão e do Vinho. Por qual razão??? Porque amava o Pai e queria voltar para Ele, mas também nos ama, e quis permanecer conosco. A Eucaristia é o amor em forma de comida.

Então, se alguém me ama de verdade, a primeira coisa que irá me desejar é a SALVAÇÃO eterna. Até porque, para os que creem, a morte não é separação, e sim uma viagem de alguém que amamos para uma terra sem Wi-Fi. Ficaremos um tempo sem comunicação, mas não para sempre. Se eu amo alguém, vou fazer de tudo para que ele ou ela não seja condenado ao inferno. Ver alguém no pecado e fechar os olhos, é o mesmo que dizer: NÃO TE AMO.

A mãe ou o pai que apoia o pecado dos filhos, não os ama de verdade. O namorado que vive tentando a namorada (ou vice-versa) para viverem como casados sem estarem de fato, não ama. O amigo que oferece bebida ao companheiro alcoólatra, não ama. Quem vê alguém na depressão e diz: “vou te ajudar a pular da ponte”, não ama.

Você que está lendo, pode até pensar: “Eu amo, mas não consigo fazer tal coisa”. Santo Antônio de Lisboa te responde, dizendo: “Quem ama, não conhece nada que seja difícil”.

Amar é desejar o Céu, é querer levar o outro ao Céu. Lá onde não existe a palavra “fim”. Onde só existe a palavra “sempre”. Quer amar alguém? Mostre o caminho da salvação.

Pe. Gabriel Vila Verde – Aleteia

Dia Nacional Mariano: Santuário Nacional convida a rezar pelo Brasil

Santuário Nacional promoverá todo dia 12 de cada mês momentos de oração pelo Brasil 

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Santuário Nacional promoverá durante 2018 momentos de oração no “Dia Nacional Mariano” /Foto: Wesley Almeida/Canção Nova

A partir deste mês de janeiro, o Santuário Nacional de Aparecida celebrará em todo dia 12 de cada mês o “Dia Nacional Mariano”. A iniciativa é considerada um fruto dos festejos dos 300 Anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, celebrados em 2017, e pretende convocar todos os fiéis para um dia de oração pelo Brasil.

Segundo o reitor do Santuário Nacional, padre João Batista de Almeida, o dia 12 já é considerado uma data especial de oração. “Começou com a cerimônia do manto em uma capela reservada, depois esta cerimônia foi trazida para o altar central com a celebração da coroação de Nossa Senhora – em preparação para a grande coroação do mês de outubro – e, a partir daí, nós tivemos esta inspiração de continuarmos, em cada dia 12, com um momento de oração”, contou o sacerdote.

O grande diferencial, o ano eleitoral, é o que marcará o projeto do Santuário Nacional. “Neste ano, nós temos esta situação especial de Brasil, que é o ano eleitoral, ano em que o povo brasileiro pode começar a mudar a sua história (…). Nosso objetivo será rezar por essa realidade”, afirmou o sacerdote.

Padre João Batista comentou ainda sobre a programação desta sexta-feira, o primeiro Dia Nacional Mariano do ano. “Nós teremos a missa das 9h, seguido de um momento oracional — o momento ‘Maria que nos leva a Jesus’ —, depois um momento celebrativo, exposição do Santíssimo (…) e outras ações em intenção pelo Brasil”.

A iniciativa a ser concretizada na Basílica Nacional foi criada, segundo o reitor do Santuário, para ser expandida e espalhada por todo o país, nas dioceses, comunidades e nas famílias brasileiras. A intenção, de acordo com o padre João Batista, é que as pessoas se reúnam para rezar no dia oficial de Nossa Senhora Aparecida.

Dois projetos, uma mesma intenção

O “Dia Nacional Mariano” estará ligado a outro projeto iniciado também neste mês de janeiro no Santuário Nacional, a campanha “Eu sou o Brasil Ético”. A iniciativa convoca os cristãos a refletirem sobre os valores que pautam suas ações e, assim, tomar atitudes concretas para construir um país diferente. De acordo com o padre João Batista, enquanto o dia 12 incentivará a oração, o outro projeto do Santuário irá além.

“Nós queremos mais do que rezar pelo Brasil, provocar no povo brasileiro o desejo de ser de fato ético, referência. (…) A sociedade, como um todo, precisa olhar para um devoto de Nossa Senhora Aparecida e sentir: ‘Opa, este aqui é um devoto de Nossa Senhora’. Nós temos que ser éticos e ser ético é contribuir para que outra pessoa também tenha uma vida de qualidade”, afirmou o sacerdote.

A cada mês, os dois projetos do Santuário abordarão juntos as mesmas temáticas. Segurança, saúde, educação, fé, esperança, caridade, honestidade, ordem e progresso, voto, mudança e futuro serão assuntos contextualizados nos 12 meses de 2018 por meio de palestras, pregações, momentos de oração, debates, e outras atividades.

Brasil restaurado

Neste ano, além das iniciativas lançadas em janeiro, o Santuário Nacional celebrará os 40 anos do restauro da imagem de Aparecida. Quebrada em maio de 1978 em mais de 200 pedaços, a Imagem original de Nossa Senhora Aparecida foi encaminhada ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), onde a artista plástica e chefe do Departamento de Restauração, Maria Helena Chartuni, a reconstituiu.

A data é, de acordo com o padre João Batista, além de uma oportunidade de celebrar o “reencontro” da imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma chance de todos os fiéis também se restaurarem. “Este elemento histórico, factual de Aparecida, também nos obriga a convocar o Brasil para um processo de restauração, a imagem do Brasil está desfigurada”, sublinhou.

“Assim como naquele evento, naquele fato ruim, a imagem foi totalmente quebrada, o povo brasileiro também está em pedaços, então agora é a hora de nós sermos os artistas da restauração, por isso nos meses de maio, junho, julho e agosto nós teremos algumas ações pontuais para dizer: ‘Olha nós temos esperança, porque a imagem de Nossa Senhora também passou por este processo, ela também foi restaurada!”, concluiu o reitor do Santuário Nacional.

Canção Nova

Papa: ter uma oração corajosa e perseverante que nasce da fé

1stmart

Papa celebra na Capela da Casa Santa Marta (Vatican Media)

Na missa celebrada na Casa Santa Marta, Francisco comentou a cura do leproso e do paralítico e afirmou que, como eles, devemos aprender a rezar com coragem e fé.

Como é a oração no Evangelho daqueles que conseguem obter do Senhor aquilo que pedem? Desta pergunta, partiu a reflexão do Papa na homilia da missa celebrada na sexta-feira (12/01), na Casa Santa Marta.

A oração na fé e a partir da fé

O Evangelho de Marcos, tanto ontem como hoje, fala de duas curas: a do leproso e a do paralítico. Ambos rezam para obter a cura, ambos o fazem com fé: o leproso, destacou o Papa, desafia Jesus com coragem, dizendo: “Se queres, tens o poder de curar-me!”. E a resposta do Senhor é imediata: “Eu quero”. Portanto, tudo é possível para quem crê, como ensina o Evangelho”:

Sempre, quando nos aproximamos do Senhor para pedir algo, se deve partir da fé e fazê-lo na fé: “Eu tenho fé que tu podes cura-me, eu creio que tu podes fazer isto” e ter a coragem de desafiá-lo, como este leproso de ontem, este homem de hoje, este paralítico de hoje. A oração na fé. 

Não rezamos como papagaios

O Evangelho nos leva portanto a interrogar-nos sobre nosso modo de rezar. Não o fazemos como “papagaios” e “sem interesse” naquilo que pedimos,  mas ao contrário, sugere o Papa,  suplicamos o Senhor que “ajude a nossa pouca fé” também diante das dificuldades.

De fato, são muitos os episódios do Evangelho em que aproximar-se do Senhor é difícil para quem se encontra em dificuldades e isso serve de exemplo para cada um de nós.

O paralitico, no Evangelho de hoje de Marcos, por exemplo, vem até mesmo baixado do teto para que sua maca chegue até o Senhor que está pregando entre a multidão. “A vontade leva a encontrar uma solução”, destacou Francisco, faz “ir além das dificuldades”:

Coragem para lutar e chegar ao Senhor. Coragem para ter fé, no início: “Se tu queres, tens o poder de curar-me. Se tu quiseres, eu creio”. E coragem para aproximar-me do Senhor, quando existem tantas dificuldades. Aquela coragem… Muitas vezes, é preciso paciência e saber esperar os tempos, mas não desistir, ir sempre em frente. Mas se eu com fé me aproximo do Senhor e digo: “Mas se queres, podes me dar esta graça” e depois mas… como a graça depois de três dias não veio, então uma outra coisa….e me esqueço. Coragem. 

Se a oração não é corajosa, não é cristã

Santa Mônica, mãe de Agostinho, rezou e “chorou muito” pela conversão do seu filho e conseguiu obtê-la. Então, o Papa a coloca entre os tantos Santos que tiveram grande coragem em sua fé. Coragem “para desafiar o Senhor”, coragem para “acreditar”, mesmo que não se obtenha logo o que se pede, porque na “oração se joga tudo” e “se a oração não é corajosa, não é cristã”:

A oração cristã nasce da fé em Jesus e segue sempre com a fé, para além das dificuldades. Uma frase para trazê-la hoje no nosso coração nos ajudará, do nosso pai Abraão, a quem foi prometida a herança, isto é, ter um filho aos 100 anos. Diz o apóstolo Paulo: “Creiam” e com isto foi justificado. A fé e “se colocou em caminho”: fé e fazer de tudo para chegar àquela graça que estou pedindo. O Senhor nos disse: “Peçam e vos será dado”. Tomemos também esta Palavra e tenhamos confiança, mas sempre com fé e acreditando. Esta é a coragem que tem a oração cristã. Se uma oração não é corajosa, não é cristã.

 Rádio Vaticano

Dizei-lhe que estou enferma de amor (Cântico dos cânticos 5, 8)

amorA enfermidade é sempre vista com um aspecto negativo, parece-nos um paradoxo associá-la a algo bom, mas há um trecho bíblico que nos fala de uma enfermidade ‘diferente’: “Dizei-lhe que estou enferma de amor” (Ct 5, 8). Esta frase inquieta um pouco e parece dar um nó em nossas convicções, pois não nos parece lógico estar enfermo de amor, sempre buscamos um pouco de razão em tudo nas nossas vidas. Até podemos ouvir algumas pessoas afirmarem que fulano ou sicrano é ‘doente’ por um time, lugar ou pessoa, mas isso ressoa mal aos nossos ouvidos.  Então o que dizer da enfermidade proposta, que certamente se refere ao amor a Deus. Sabe-se que quando uma pessoa adoece tem alguma estrutura de corpo modificada, suponhamos que um vírus aloja-se em uma pessoa, primeiro o sistema imunológico tentará combater ‘esse estranho’, quando o organismo ‘perde a batalha’, o vírus faz o seu ‘trabalho’, isto é a pessoa adoece. Como assim? O amor a Deus pode ser uma doença, ainda que santa? NÃO! Mas é preciso que nos abandonemos nesse amor, sem resistência, assim como acontece com a paixão. Quando nos apaixonamos nos rendemos ao amor, deixamos que a sedução do outro nos encante. Esta “santa enfermidade se encontra em muitos homens e mulheres apaixonados por Deus e leva as pessoas a quererem estar sempre na presença do seu amado. Ela não nos fará mal, pois é uma entrega e não uma alienação. “O meu amado é meu e eu sou dele” (Ct. 2, 16). Trata-se do Deus que dá e uma pessoa que acolhe e entrega-se. Este amor não prende Deus  ao homem, ou seja, eu amo o Senhor e Ele me ama e acabou. Não! Esse amor eterniza-se.

A bíblia relata muitas histórias de pessoas que foram enfermas de amor, pois amaram tanto a Deus que aprenderam a viver por Ele e para Ele. Podemos começar pelo grande patriarca Abraão, tão enfermo de amor que após longos anos de espera pela vinda de seu filho amado não hesitou em cumprir a vontade de Deus, que ‘estranhamente’ pediu-lhe o sacrifício de seu filho, Isaac não foi imolado, pois o mesmo Deus amado é aquele que ama, muito mais que nós, que amamos de forma limitada. Além de Abraão, muitos outros também vivenciaram esse grande amor por Deus, assim como os profetas, apóstolos, discípulos, santos e tantos outros.

A enfermidade de amor é a capacidade que temos ou aprendemos a ter de corresponder  ao amor de Deus por nós, pois: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”(Jo 3, 16). Se Deus nos ama tanto, não o amar é um erro. Devemos amá-lo com todo o nosso coração, como nos diz uma canção:

Amar-te mais que a mim mesmo

Amar-te mais que tudo que há aqui

Amar-te mais que aos mais queridos

Amar-te e dar a vida só por ti

Com minhas forças

Com minha alma, de todo coração

Viverei eu,só pra ti amar

Amar-te,amar-te,
Amar-te e dar a vida só por ti (Música: Amar-te mais)

Não tenha medo de ser um ‘enfermo de amor’, renda-se ao amor de Deus, este é o primeiro dos mandamentos e é o amor mais verdadeiro que há na vida.

Macileide Passos e Francisco Ribeiro

(Missionários – Comunidade Mãe Imaculada)

Os dons do Espírito Santo em Maria

maria-espirito-santo.jpgO que são os dons do Espírito Santo? Os dons do Espírito Santo são hábitos sobrenaturais infundidos nas potências da alma (no momento do Batismo), para (dispô-la) a receber e secundar com facilidade as moções do próprio Espírito Santo.

Vejamos ao que nos diz sobre eles o Monsenhor João Clá Dias, EP:

Em primeiro lugar, ordenam-se a receber a moção divina, e neste sentido podem ser considerados como hábitos receptivos ou passivos. Porém, ao receber a divina moção, a alma reage vitalmente e a auxilia com facilidade e sem esforço graças ao mesmo dom do Espírito Santo, que atua neste segundo aspecto como hábito operativo. São, portanto, hábitos passivo
-ativos, a partir de distintos pontos de vista.

Sete são os dons do Espírito Santo, segundo Isaías (XI, 2-3), a saber: de entendimento, de sabedoria, de ciência, de conselho, de fortaleza, de piedade e de temor de Deus, dos quais, os quatro primeiros pertencem à perfeição do entendimento, e os outros três à perfeição da vontade”.

Distinção entre virtudes e dons

A distinção essencial entre as virtudes e os dons está na diferente maneira de operarem aquelas e estes: na prática da virtude, a graça nos deixa ativos, sob o influxo da prudência; o uso dos dons, ao invés, quando já chegamos a seu pleno desenvolvimento, requer de nossa parte mais docilidade do que atividade. Uma comparação: quem pratica a virtude navega a remo; quem goza, pelo contrário, dos dons navega à vela, com o que anda mais depressa e com menor esforço. Os dons aperfeiçoam as virtudes teologais e morais (isto é, as cardeais e as que delas derivam).

Deus dá, juntamente com a graça santificante, todos esses dons. Concede-nos, porém, a casa um em determinada medida. Só a Maria, por assim dizer, os deu sem medida. Passemo-lo brevemente em revista.

A plenitude dos dons de Maria

– Dom do conselho

O dom do conselho aperfeiçoa a virtude da prudência, fazendo-nos julgar prontamente e com segurança, por uma espécie de intuição sobrenatural, acerca do que convém fazermos, especialmente nos casos difíceis, O objeto próprio do dom de conselho é a boa direção das ações particulares.

Admirável foi esse dom em Maria, que é chamada pela igreja a Mãe do Bom Conselho. Com efeito, a alma de Maria esteve sempre voltada para Deus, de quem recebia com sua facilidade todas as aspirações, motivo por que a Ela, mais de que a qualquer outro Santo, se podem aplicar as palavras: Tua proteção será o bom conselho e a prudência te salvará (Prov. II, 11).

Mas foi especialmente em duas circunstâncias que Maria Santíssima deixou conhecer o modo eminente em que possuía esse dom precioso.

Isto aconteceu, primeiro, em sua apresentação no Templo, quando, por inspiração divina, soube ser coisa agradável a Deus que Lhe fosse consagrada, desde a infância, pelo voto de perpétua virgindade. Em segundo lugar, foi em sua Anunciação, quando, ao ser saudada pelo Anjo como cheia de graça, e ao ser pedido seu consentimento para o cumprimento da Encarnação, se dirigiu ao Núncio celeste para saber dele quais eram as disposições divinas a seu respeito e, conhecidas estas, se ofereceu totalmente, como serva, ao Senhor.

– Dom da piedade

O dom da piedade aperfeiçoa a virtude de religião, que é anexa à justiça e produz no coração um afeto filial para com Deus e uma terna devoção às Pessoas e às coisas divinas, para fazer-nos cumprir com santa presteza os deveres religiosos.

Se nos fosse dado penetrar com o olhar íntimo de Maria, ficaríamos maravilhados com os sentimentos de filial afeto para
com Deus, nEla inspirados pelo dom de piedade. Este levou Maria menina a dedicar sua atividade ao serviço do Templo, que Ela, com a mesma terna piedade, venerava por cima de todas as coisas materiais. Foi o dom de piedade que Lhe inspirou uma veneração especial pela Sagrada Escritura, como pelas palavras pronunciadas por seu Filho Jesus, as quais conservava todas em seu coração.

Na alma da Imaculada, tudo cantava a Deus sem resistência alguma, numa perfeita harmonia de suas potências e de todos os seus atos, ao sopro do Espírito Santo. Sua plenitude de graça e de santidade, sua total correspondência às mais leves inspirações divinas, seu desejo único de glorificar a Deus, fizeram da Virgem Maria, o mais belo templo vivo da Santíssima Trindade. Maria é a criatura que mais glória deu ao Senhor.

– Dom de fortaleza

O dom da fortaleza aperfeiçoa a virtude de mesmo nome, dando à vontade um impulso e uma energia que a tornam capaz de operar e de sofrer animosa e intrepidamente grandes coisas, superando todos os obstáculos.

Se considerarmos, de um lado, a grandeza da obra a realizar-se, a que Maria fora predestinada por Deus e, de outro lado, as inumeráveis dificuldades que Lhe competia afrontar, não por parte da carne, pois era imaculada, mas por parte do demônio e do mundo, veremos que teria havido motivo justo para Ela perder a coragem, se houvesse sido deixada entregue a suas próprias forças. Como poderia jamais uma criatura, santa sim, mas débil por natureza achar tanta coragem para realizar uma obra tão árdua e para vencer inimigos tão feros? Na graça de Deus, por Jesus Cristo, responde São Paulo.

Sim, por meio da graça que Lhe será dada quase sem medida pelos méritos de Jesus Cristo, seu Filho, Maria vencerá todas as dificuldades, todo perigo e cumprirá a árdua empresa de cooperar com Cristo no resgate do gênero humano. Essa graça a tornará inarredável, qual rochedo em meio de um mar tempestuoso, e fará com que Ela repouse em Deus como uma criança nos braços maternos.

– Dom do temor

O dom do temor aperfeiçoa ao mesmo tempo a virtude da esperança e a virtude da temperança, fazendo-nos temer desagradar a Deus e sermos separados dEle; a virtude da temperança, apartando-nos dos falsos deleites que nos poderiam levar a perdermos Deus.

É um dom, portanto, que inclina a vontade ao respeito filial de Deus, nos afasta do pecado que Lhe desagrada e nos faz esperarmos em seu poderoso auxílio.

Não se trata, pois, daquele medo de Deus que nos inquieta quando nos lembramos de nossos pecados, nos entristece e perturba.

Nem se trata do temos do Inferno (Também chamado temor servil, que nos leva a evitar a culpa por medo do castigo), que basta esboçar uma conversão, porém não basta para dar acabamento à nossa santificação. Trata-se do temor reverencial e filial, que nos faz recear toda ofensa a Deus (ainda que esta não acarretasse nenhuma pena ou castigo).

Grande foi, na realidade, o temor de Maria, porém não foi nada servil. Com efeito, cheia como era da graça divina e tão pura, tão santa, que castigo poderia jamais temer? Nem ao menos houve propriamente n’Ela aquele temor chamado casto, o qual considera a possibilidade e o perigo de perder Deus com o pecado, pois sabia que, por uma assistência especial do Espírito Santo, não podia perder a graça. Pelo que o temor de Maria, à semelhança do temor de que esteve oprimida a própria alma de Cristo, era um temor reverencial, produzido por um sentimento vivíssimo da majestade infinita de Deus e de seu infinito poder.

– Dom da ciência

Resta-nos considerar os três dons intelectuais: de ciência, de inteligência e de sabedoria. O dom da ciência nos faz julgar retamente das coisas criadas em suas relações com Deus; o dom de inteligência nos descobre a íntima harmonia das verdades reveladas; o dom da sabedoria nos faz julgar apreciar e gostar das coisas divinas (reveladas). Todos os três tem de comum que nos dão um conhecimento experimental, ou quase, porque nos fazem conhecer as coisas divinas não por via do raciocínio ou reflexão, mas por meio de uma luz superior que no-las faz atingir como se delas tivéssemos a experiência.

A ciência de que se fala é a ciência filosófica ou teológica, mas é chamada ciência dos Santos, que nos faz julgar santamente das coisas criadas em suas relações com Deus. Pode, pois, definir-se o dom de ciência como aquele que, sob a ação iluminadora do Espírito Santo, aperfeiçoa a virtude da fé, fazendo-nos conhecer as coisas criadas em suas relações para com Deus.

O objeto do dom de ciência são, portanto, as coisas criadas enquanto nos conduzem a Deus, do qual todas provêm e pelo qual todas são conservadas. Elas são como degraus para se subir até Ele.

A Mãe de Jesus possuía em grau eminente o (dom) de ciência, que A ajudava a distinguir o bem do mal nas criaturas com as quais tratava diariamente. Deus A havia conservado virgem, imaculada. Jamais havia experimentado do mal. Passou pela Terra como puríssimo reflexo de Deus.

E, sem embargo, nenhuma outra criatura julgou com tanta segurança acerca do pecado. Ela percebia o mal com infalível instinto divino. O Espírito Santo A esclarecia e ilustrava a respeito de tudo.

Mãe de um Deus Salvador, seu amor Lhe fazia sentir a bondade e a malícia de todos os homens, seus filhos (…) Ela conheceu todos os nossos sentimentos humanos, sublimados pelo amor divino. O coração de Maria envolvia, numa mesma ternura de Mãe, a seu Filho Jesus e à multidão de seus filhos adotivos.

Passeou pela criação maravilhando-se ao descobrir nela, a cada passo, um reflexo dos esplendores do Verbo (…) Homens e coisas apareciam a seus olhos iluminados pela claridade de Deus e, por contraste, distinguia também perfeitamente a sombra do Mal. (…)

Nenhuma criatura possuiu como Ela a ciência dos Santos, o conhecimento do bem e do mal, das possibilidades de queda e de ressurgimento contidas em nossa liberdade, Com sua translúcida fé, julgava de modo perfeito, o encadeamento das causas segundas no universo, à luz da ciência de Deus.

– Dom da inteligência

O dom da inteligência se distingue do de ciência, porque seu objetivo é muito mais vasto: não se restringe só às coisas criadas, mas se estende a todas as verdades reveladas. Além disso, seu olhar é mais profundo, fazendo-nos penetrar (Intus legere – ler dentro) no significado das verdades reveladas. Não nos faz, é certo, alcançar os mistérios da fé, mas nos faz compreender que, não obstante sua obscuridade, são críveis, que se harmonizam bem entre si e com o que há de mais nobre na razão humana. E com isso se confirmam os motivos de credibilidade.

Que a Santíssima Virgem teve de modo esplendidíssimo o dom da inteligência, consta de que penetrou clarissimamente as coisas que são de fé, na medida do possível a uma alma nesta Terra. E conheceu por abundante experiência, como, por exemplo, que Ela, Virgem, concebeu a Deus; que Deus se fez homem; que Deus é um em essência e trino em pessoas; que o Filho de Deus é Deus e homem em unidade de pessoa. Conheceu também a suma dignidade de sua divina maternidade e a eminência de suas graças, a admirável economia da Redenção humana e a parte que Ela teve por beneplácito divino naquela laboriosa obra. Coisas todas que percebeu Ela com a conaturalidade e afetuoso espírito próprios da Mãe de Deus e cooperadora da Redenção.

– Dom de sabedoria

O dom de sabedoria, o mais perfeito dos três dons intelectuais do Espírito Santo, aperfeiçoa a virtude da caridade e reside, ao mesmo tempo no intelecto e na vontade. Este dom compendia todos os demais, como a caridade compendia em si todas as outrasvirtudes.

Pode-se definir, pois, como um dom que, aperfeiçoando a virtude da caridade, nos faz discernir e julgar relativamente Deus e as coisas divinas segundo seus mais altos princípios, e nos dão disso o sabor.

Que a Bem-aventurada Virgem Maria obteve em alto grau o dom da sabedoria, belamente o atesta Dionísio o Cartuxo: “Assim como Maria foi, depois de Cristo, inefavelmente mais santa que todos os Santos, assim também no dom de sabedoria foi maior, mais perfeita e mais esplêndida que nenhum outro.

Experimentou e saboreou mais que todos com o paladar da menrte e de modo inestimável, secretíssimo, suavíssimo, frequentíssimo e exuberantíssimo, quão suave é Deus, quão bom o Deus de Israel para os retos de coração, quão bom o Senhor para os que esperam n’Ele, para a alma que O busca; quão imensa a sua doçura, quão verdadeiramente é o Deus escondido, mais secreto que todos os mistérios, que brilha candidissimamente e se manifesta à alma purificada com paternal mercê, clemência e abundância para contemplá-Lo e degustá-Lo. (…)

O Espírito Santo, com os sete dons, repousou no coração de Maria com inenarrável plenitude, e com o dom de sabedoria A ornou de incomparável formosura. Mais ainda. A pureza de coração dispõe em grande medida para o aumento e complemento da sabedoria.

Na alma malévola não entrará a sabedoria, etc. Dado que a Virgem Maria resplandeceu com tão grande pureza e santidade, que depois de Deus não se pode conceber maior, compreende-se que a Sabedoria incriada se transladasse e se infundisse abundantissimamente na alma de Maria, e n’Ela o dom de sabedoria fizesse progressos tão indizíveis de modo incomparável nesse dom esta eminente Mãe da Sabedoria”.

Monsenhor João S. Clá Dias, EP

(in “Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado”. Artpress. São Paulo, 1997, pp. 477 a 481)/Gaudium Press

Papa Francisco convida 2100 pobres, refugiados e encarcerados de Roma para o circo

circo

Convite ao ‘Circo Solidariedade”. Foto: Esmolaria Apostólica

Na quinta-feira, 11 de janeiro, o Circo Medruno de Roma, acolherá espectadores muito especiais. Nada mais nada menos do que 2100 pobres de Roma, convidados pelo próprio Papa Francisco através da Esmolaria Apostólica, encarregada da caridade do Pontífice.

Em um comunicado, o Vaticano explica que assistirão à sessão da tarde “pobres, sem-teto, refugiados, encarcerados, às pessoas e famílias necessitadas, acompanhados por voluntários”.

O espetáculo, ao qual se deu o nome especial de “Circo Solidariedade”, atendeu assim às palavras do Papa Francisco durante uma Audiência Geral, na qual afirmou que “as pessoas que fazem o espetáculo no circo criam beleza, são criadores de beleza. E isto faz bem para a alma. Quanta necessidade temos da beleza!”.

A Esmolaria assegura que esta iniciativa será uma ajuda especial para “nossos irmãos mais pobres” que assim contarão com uma força a mais para “superar as lutas e as dificuldades da vida, que tantas vezes parecem enormes e mesmo insuperáveis”.

Além disso, no exterior da tenda do circo estará disponível um serviço médico-sanitário com médicos e enfermeiros voluntários e uma ambulância para prestar-lhes ajuda se desejarem.

Não é a primeira vez que Francisco patrocina uma iniciativa semelhante. No dia 15 de janeiro de 2016, 2 mil pobres também foram convidados a participar como espectadores de um espetáculo circense, naquela ocasião no Rony Roller Circus.

Acidigital