Blog Comunidade Mãe Imaculada

As Dez Palavras de amor

10-mandamentosNão é totalmente evidente que se recordem dos Dez Mandamentos. É um mandamento de Deus, ao invés, assimilá-los de cor e transmiti-los aos próprios filhos: “Os mandamentos que hoje te dou serão gravados no teu coração. Tu os inculcarás a teus filhos, e deles falarás, seja sentado em tua casa, seja andando pelo caminho, ao te deitares e ao te levantares” (Dt 6,6-7).

A nossa relação com o Decálogo vem desde a infância; para muitos uma recordação desbotada, como uma poesia de Pascoli ou de Leopardi.

Esse nosso mundo é complexo, desordenado, frequentemente indecifrável. A gente pede orientação. Quer um novo “sistema de sinal”: não se orienta mais nos labirintos de uma vida que se quer sempre mais moderna e sempre menos humana e divina.

Os Mandamentos são os melhores “desembaçadores de modernidades” possíveis. Em qualquer época e latitude recordam ao homem o que é e o que é bom ser. Senão o homem não conhecerá o seu caminho, restará estranho ao seu próprio destino humano. Devemos inverter a rota. Quem conhece o caminho sabe também dar valor às coisas, tem a medida das coisas. Muitos dizem: “a vida é privada daquilo que a torna forte, habitável. O verbo latino, a mesma palavra italiana “valere”, significa saudação de uma vida feliz, a saudação mais recorrente. O homem “se desvaloriza”, perde o valor se não tem em si aquilo que lhe atribui novo vigor, nova força. O homem não é uma moeda, que se desvaloriza, que não terá nunca, valor de Deus, o Espírito de Deus, a força de Deus, a lei de Deus.

“A lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma; a ordem do Senhor é segura, instrui o simples. Os preceitos do Senhor são retos, deleitam o coração; o mandamento do Senhor é luminoso, esclarece os olhos” (Sl 18 (19) 8-9ss). Portanto, as “Dez Palavras” são a medida da nossa relação com Deus, com o próximo, com nós mesmos. São leis eternas de amor; de um amor dado e ainda para confirmar e para experimentar.

“Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração de toda tua alma e de todo teu espírito. Amarás teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,37-40). O cristianismo, em Jesus Cristo, levou à perfeição o caminho do amor. Dilatou o mandamento do amor até o extremo dos inimigos, fez do amor um “sim” pleno, um “sim” que vence cada “não” a um amor que não se faça misericórdia e justiça, compaixão e promoção humana, defesa dos últimos, dos pequenos, dos pobres.

Ocorre encontrar essa nova sintaxe do amor! Uma linguagem mais profunda que dê voz à interioridade. É isso afinal o pensamento do Papa Francisco. Ele afirma: “Os Dez Mandamentos são um dom de Deus. A palavra “mandamento” não está em moda; para o homem parece algo negativo, a vontade de alguém que impõe limites que coloca obstáculos a vida. Os Dez Mandamentos vêm de um Deus que nos criou por amor, de um Deus que estreitou uma aliança com a humanidade, um Deus que quer somente o bem do homem. Confiemos em Deus! Confiemo-nos a Ele! Os Dez Mandamentos nos indicam uma estrada a percorrer: deixemo-nos guiar por essas Dez Palavras que iluminam e orientam quem busca paz, justiça e dignidade. Os Dez Mandamentos indicam uma estrada de liberdade” (Vídeo mensagem à Renovação para o projeto Dez Praças por Dez Mandamentos, 8 de junho de 2013).

O amor não se impõe, o amor não constringe! O amor é beleza, bondade, oferta da vida na gloriosa renúncia de si.

Os verbos hebraicos usados pelos Dez Mandamentos não são de imperativo, mas de futuro. São todos conjugados no futuro, como o primeiro mandamento. Conjugam-se no futuro e se declinam na nossa vida no presente, porque com eles entramos na realidade de Deus, “no realismo da fé”.

Não são conselhos, não são proibições, não são concessões: são promessas divinas. E é extraordinário observar que essas dez palavras, para o povo de Israel, se tornam “a lei”, a lei de um povo que recebe de Deus a sua “constituição” antes de ser uma “nação”. A história do povo de Deus, que nas dez palavras encontra a sua identidade e o seu destino, é a história do “enquanto”, não do “princípio”. “No princípio” é Deus; “no enquanto” a história do homem. A “releitura” do Decálogo é uma ação profética, de conteúdo altamente profético, em um tempo em que a fé parece obscura pela presunção humana de considerar Deus longe, ausente; é melhor um deus que se torna presente com um “bezerro de ouro”, substituto dos desejos desenfreados do homem. Devemos ser conscientes que o crer deve implicar a manifestação da potencia de Deus, dos sinais que ainda caem do Céu como as “10 palavras sobre o Monte”; que o Céu é aberto sobre nós; que nenhum esforço humano, nenhuma manobra financeira contra a crise, nenhuma descoberta científica, nenhuma justiça social nunca serão suficientes para tornar plausível, conveniente, aceitável, “compatível” a nossa fé com o tempo corrente,

As Dez Palavras nos dizem como vencer a vida eterna e não falir na vida terrena; como ser verdadeiramente homens em um tempo que quase sempre beira à bestialidade instintiva; como ser filhos de Deus em um tempo em que a obediência à palavra de Deus para muitos crentes é uma calamidade, um incômodo, uma pena, um limite, à modernidade, ou melhor, uma possibilidade entre tantas outras. E de resto a história se repete: já os hebreus fugiam das ordens de Deus, se rebelavam contra Moisés e infringiam “a aliança” que Deus havia estabelecido com eles.

Os Mandamentos são preceitos de “lei natural”. São indicadores de verdadeira sociabilidade, são o alimento de máxima civilidade e de humanização possíveis, são o “código ético” das nossas sociedades. Deixamos, então, que Deus ainda tome a iniciativa: não somente quer a nossa libertação das tantas escravidões modernas, mas quer também reafirmar a sua aliança conosco. O homem não é nunca, sozinho, o protagonista da história. Ocorre incluir Deus, reincluir Deus no horizonte humano: não é nunca o limite da nossa liberdade humana.

Acolher as Dez Palavras significa participar da vida íntima de Deus; redescobrir que Deus é amor, não por aquilo que comanda ou faz, mas por aquilo que é, pela sua presença compassiva na história.

Devemos vencer um “falso moralismo”, que está reduzindo o cristianismo a uma série de preceitos estéreis de regras, que não convencem mais ninguém de suas bondades e de suas potências.

Devemos vencer um “falso laicismo”, que gostaria que se “desse a César aquilo que é de Deus” e a Deus indiferença e desprezo.

Devemos vencer um “falso ritualismo”, que gostaria na repetição fatigosa de fórmulas litúrgicas a expressão da nossa fé.

Devemos vencer um “falo naturalismo”, que gostaria do homem conformado diante do inelutável mal que aflige a história.

Devemos vencer um “falso messianismo”, que reduz o cristianismo a um juízo crítico sobre a realidade, sem compromisso, sem empenho, para muda-la, sem uma fé que faça pensamento, cultura, juízo sobre a realidade e empenho para transformá-la.

Devemos vencer um “falso devocionismo”, que reduz o cristianismo às práticas de piedade sem uma fé carismática, operativa, que procure milagres e audazes ações de renovação.

É esse o sentido da “nova evangelização”: anunciar um Deus que não se considera longe, que com Jesus desceu “do Céu para a terra” e que no Espírito Santo passou “da terra nos corações”, para realizar plenamente o destino de vida e não de morte contido no Decálogo. Como é confortante o Salmo (118,5): “Sejam direitas as minhas estradas em custodiar os teus preceitos. Não deverei me envergonhar se terei obedecido aos teus mandamentos”.

Cléofas / Retirado do livro: “Movidos Pelo Espírito Repartimos do Cenáculo”. Salvatore Martinez.

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A expressividade do silêncio

Ao percorrermos as páginas das Sagradas Escrituras, deparamo-nos com inúmeras recomendações e importantíssimas afirmações dadas pelo próprio Espírito Santo a fim de nos ensinar o caminho certo para chegar à Pátria Celestial. Detenhamo-nos em um aspecto dos conselhos que nos apresentam os livros sapienciais: “Não te apresses em abrir a boca; […]que tuas palavras sejam, portanto, pouco numerosas.” (Ecl 5,1) e ” […] o homem sábio guarda silêncio” (Pv 11,12) Não obstante, o ditado popular resumiu em: “A palavra é de prata e o silêncio é de ouro”.

Qual é a grandeza do silêncio? O que o torna superior à palavra?

A expressividade do silêncio 1.jpgPrimeiramente, o silêncio não pode ser considerado somente no seu aspecto negativo – exclusão de palavras, pois o silêncio também fala. Esta verdade é oferecida pela própria experiência, pois, em inúmeras ocasiões de nossa vida, deixamos transparecer o que acontece dentro do nosso interior através, não só de palavras, mas também do silêncio. Com ele afirmamos, negamos, consentimos, reprovamos e mostramos a nossa alegria ou recriminação em relação a algo. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, na hora da crucificação, depois de dirigir aquelas extraordinárias palavras ao bom ladrão, ofereceu um frio silêncio ao mau ladrão, que teve mais expressividade do que um colossal discurso.1

O silêncio é um extraordinário instrumento capaz de transmitir, em várias ocasiões, mais ideias do que as próprias palavras. Referindo-se ao Espírito Santo afirma o Padre Plus:2 “Fala sem articular palavras, e todos ouvem seu divino silêncio (…) Sem necessidade de estar atento, ouve a menor palavra dita no mais íntimo do coração.” Ou seja, o silêncio é perfeitamente interpretado por Deus, sendo um dos meios que Ele mais usa para relacionar-se com as suas criaturas e revelar-lhes maravilhas que apenas podem ser entendidas na sacralidade e tranquilidade próprias ao silêncio.

Para viver de Deus, com Ele e para Ele, as pessoas, sempre que possível, abandonam o bulício do mundo e abraçam o isolamento.3 São Jerônimo conta que Davi, em sua infância, fugia da agitação da cidade e buscava a solidão dos desertos. E as Escrituras nos contam que Judite tinha, na parte mais elevada de sua casa, um quarto recolhido onde permanecia enclausurada com suas fiéis servas (Jt 8, 5).

Mas o que são estas maravilhas que Deus nos revela através do silêncio? O que ele diz em nossos corações? A que nos convida? Certa ocasião, Monsenhor João Clá Dias esclareceu a seus filhos espirituais:

“O que diz o silêncio?[…] Escute-me porque o timbre de minha voz é grave e suave. Escute-me porque o que tenho a dizer eleva a alma, descansa e entretém. Escute-me porque minhas palavras põem em sua alma um certo refrigério, uma certa luz, uma certa paz que você havia esquecido que existe e que agora quando fala com você, o chama para maravilhosas solidões de que já havia perdido a lembrança e as saudades. À força de falar com o silêncio, você mesmo começa a ser um daqueles que, pelo silêncio, fala, o seu silêncio interior faz ouvir palavras e você começa a entender, a dizer dentro de si mesmo que não é uma recordação que isso traz, é uma esperança, são os dias vindouros que o aguardam”.4

São João da Cruz nos lembra: “Uma palavra pronunciou o Pai, que foi seu Filho, e esta fala sempre em eterno silêncio, e em silêncio há de ser ouvida pela alma”.5 E assim, as virtudes serão praticadas mais facilmente conforme afirma São Rafael Arnaiz:A expressividade do silêncio 2.jpg

“É o silêncio que nos faz humildes, que nos faz sofridos; que, ao termos sofrimentos, nos faz contar somente a Jesus para que Ele também, no silêncio, nos cure sem que os outros saibam […] O silêncio é necessário para a oração. Com o silêncio é difícil faltar com a caridade; com ele se agradece, mais do que com palavras, o amor e carinho de um irmão […]”.6

E São Bernardo declara: “É o silêncio guardião da religião, nele está nosso vigor”.7

Portanto, o silêncio é indispensável para escutar a Deus e acolher a sua comunicação. Ele nos convida a permanecer em um estado de espírito profundo, claro e elevado para que, ouvindo seus sábios conselhos, vivamos santamente em um convívio digno e sublime, não só com os homens, mas principalmente com Aquele que nos criou.

Gaudium Press / Por Gabriela Victoria Silva Tejada

1 Cf. Id. Devoção ao sagrado Coração de Jesus. In: Dr. Plinio. São Paulo: Ano XIV, n. 155, feb. 2011, p. 10.
2 PLUS, SJ, Raúl. Cristo en nosotros. Barcelona: L. Religiosa, 1943, p. 153.
3 Cf. Imitação de Cristo, Liv. I, c. 20, m.1.
4 CLÁ DIAS, Jõao Scognamiglio.A seriedade e o silêncio que proclamam: Retiro. São Paulo, jul. 2002.
5 Obras Completas, BAC, Madrid, 1946, p. 1200.
6 SAN RAFAEL ARNÁIZ. Hermano Rafael Arnáiz Barón Obras completo. Burgos: Monte Carmelo, 2002, p. 291.
7 Cf. SAN BERNARDO DE CLARAVAL. Domenica prima post octavam Epiphaniae. Sermo 2, 7. “silentium scilicet, custos religionis, et in quo est fortitudo”

Não espere das pessoas aquilo que só Deus pode fazer por você

Unsplash CC0

Por que insistimos em colocar pessoas e coisas em uma posição na nossa vida que o Senhor disse que pertence a Ele?

Vivemos um tempo em que as pessoas, principalmente os jovens, estão cada vez mais frustrados, decepcionados, e tristes, mas não falo da ausência de sorriso no rosto, falo de uma tristeza interior que por vezes é mascarada com belos “pares de dentes”. Não é de se impressionar que a doença que tem causado uma “epidemia” em nossa juventude é a tão temida: depressão. Doença essa que chega de mansinho como se não estivesse ali e sem ao menos se dar conta a pessoa já está dominada por ela.

Durante muito tempo vim perguntando a Deus qual o motivo dessa “epidemia” no meio dos nossos jovens. E Deus através da frase “Não espere das pessoas aquilo que só Eu, o Senhor, pode fazer por você”, respondeu-me. Na nossa essência humana temos a necessidade de adoração, precisamos adorar algo ou alguém e “burramente”, me desculpe a palavra, deixamos de adorar a Deus e escolhemos adorar pessoas, sonhos e coisas materiais.

Não foram uma e nem duas vezes que chegaram para mim dizendo: “Estou sem chão. Namorava com um menino e me entreguei por inteiro a ele, mas fui decepcionada; tive uma namorada e eu pensava ser ela a mulher da minha vida…” E todas essas pessoas que chegaram com esse tipo de mensagem, estavam carregadas de tristezas no coração e deprimidas. E sempre são pessoas que estão se entregando a relacionamentos amorosos de maneira que só devem se entregar a Deus, pois Ele supera todas as expectativas, Ele não nos decepciona, Ele não nos abandona, ELE NOS AMA!

Deixa eu falar uma coisa a você que até aqui teve a paciência de ler essa mensagem: De todas as coisas feitas e faladas por Jesus, ele não define as leis, nem os milagres e prodígios, ou ler a bíblia e jejuar, nem mesmo orar como as coisas mais importantes, e sim “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda sua alma, de todo o seu entendimento, e de todas as suas forças.” , sendo este o maior mandamento. Ele em momento nenhum disse: Ame seu namorado com todo seu coração; ame seu trabalho com toda sua força; ame sua faculdade com todo seu entendimento; ame seu celular com toda sua alma.

Nós somos meios bobos e insistimos em colocar pessoas e coisas em uma posição na nossa vida que o Senhor disse que pertence a Ele. Engraçado que no evangelho de Lucas no capítulo 14, versículo 26, Jesus fala: Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e ATÉ SUA PRÓPRIA VIDA (cuidado com o amor próprio em excesso) mais do que a mim, não pode ser meu discípulo.

Preciso falar mais alguma coisa? Jesus deixou bem claro, que todo o amor, toda adoração, toda devoção, todo o lugar em nossas vidas tem que pertencer ao PAI. Seu namorado (a) não é o seu bolo, ele (a) é apenas a cobertura. Deus é o nosso bolo, Ele é o ar que nós devemos respirar, pois foi quem soprou em nossas narinas o fôlego de vida.

Deposite todas as suas fichas em Deus e nos sonhos de Deus, que o mais Ele acrescentará (Mt 6,33).

Aleteia (via Logo eu)

E os casais que não conseguem ter filhos? O que fazer?

Muitos casais, infelizmente, não conseguem ter filhos por alguma causa de infertilidade do marido ou da esposa. Sabemos que é grande esse sofrimento:

“Que me darás?”, pergunta Abrão a Deus. “Continuo sem filho…” (Gn 15,2). “Faze-me ter filhos também, ou eu morro”, disse Raquel a seu marido Jacó (Gn 30,1).

Mas esses casais não devem desanimar; a Igreja recomenda que valorizem o seu matrimônio. O Catecismo da Igreja lhes ensina:

“Os esposos a quem Deus não concedeu ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente. Seu Matrimônio pode irradiar uma fecundidade de caridade, acolhimento e sacrifício”. (§1654)

Esses casais podem e devem buscar os legítimos recursos da medicina para conseguir os filhos desejados. A Igreja ensina que:

“As pesquisas que visam a diminuir a esterilidade humana devem ser estimuladas, sob a condição de serem colocadas “a serviço da pessoa humana, de seus direitos inalienáveis, de seu bem verdadeiro e integral, de acordo com o projeto e a vontade de Deus” (Instrução Donum vitae,CDF, intr. 2).

A Igreja não aceita a inseminação artificial, nem homóloga e nem heteróloga. E ela expõe as razões disso:

“As técnicas que provocam uma dissociação do parentesco, pela intervenção de uma pessoa estranha ao casal (doação de esperma ou de óvulo, empréstimo de útero), são gravemente desonestas. Estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais heterólogas) lesam o direito da criança de nascer de um pai e uma mãe conhecidos dela e ligados entre si pelo casamento. Elas traem “o direito exclusivo de se tornar pai e mãe somente um por meio do outro” (§2376).

“Praticadas entre o casal, estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são talvez menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos”. “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa” (§2377).

A Igreja aproveita esse assunto, para nos lembrar que ninguém tem o direito a um filho.

“O filho não é algo devido, mas um dom. O “dom mais excelente do matrimônio” e uma pessoa humana. O filho não pode ser considerado corno objeto de propriedade, a que conduziria o reconhecimento de um pretenso “direito ao filho”. Nesse campo, somente o filho possui verdadeiros direitos: o “de ser o fruto do ato específico do amor conjugal de seus pais, e também o direito de ser respeitado como pessoa desde o momento de sua concepção”. (§2378).

Por fim a Igreja recomenda aos casais inférteis unirem o seu sofrimento, corajosamente à cruz de Cristo.

“O Evangelho mostra que a esterilidade física não é um mal absoluto. Os esposos que, depois de terem esgotado os recursos legítimos da medicina, sofrerem de infertilidade unir-se-ão à Cruz do Senhor, fonte de toda fecundidade espiritual. Podem mostrar sua generosidade adotando crianças desamparadas ou prestando relevantes serviços em favor do próximo”. (§2379)

Nossa fé nos ensina que só os egoístas desperdiçam a vida; portanto, mesmo que os casais inférteis não possam ter seus filhos naturais, poderão ter seus filhos “do coração”; que não deixam de ser menos filhos. Quantos filhos adotados dão mais alegria a seus pais que os filhos naturais! Jesus não teve um pai natural na terra; mas teve um grande pai adotivo: São José.

Prof. Felipe Aquino

Minas Gerais e Amazonas terão novos bispos nomeados pelo Papa

O Papa Francisco anunciou nesta quarta-feira, 20 de setembro, a nomeação de mais dois novos bispos para a Igreja no Brasil.

Enquanto Dom Aloísio Jorge Pena Vitral será designado para a Diocese de Sete Lagoas (MG), Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva está a caminho da Prelazia de Borba (AM).

As decisões foram tomadas e comunicadas à Nunciatura Apostólica no Brasil com base no pedido de renúncia, por motivo de idade, dos bispos Dom Guilherme Porto e Dom Eloi Roggia, respectivamente.

Dom Aloísio Jorge Pena Vitral

Nascido no Rio de Janeiro, cursou Filosofia de 1977 a 1979, em Brusque (SC), e Teologia de 1980 a 1983 em Taubaté (SP), concluindo o curso em 1985 na Pontifícia Universidade Católica de Minas (PUC Minas).

Em janeiro do ano seguinte, foi ordenado sacerdote, tomando posse na Paróquia de Santo Antônio, em Nova Lima (MG), na qual permaneceu até 1990. Depois, assumiu a reitoria do Seminário de Filosofia Emaús da Arquidiocese de Belo Horizonte, de 1991 a 1992. No ano de 1993, tomou posse como pároco da Paróquia Santa Efigênia dos Militares, e por lá ficou até outubro de 2005.

Dom Aloísio foi também Formador Espiritual no Seminário Maior da Arquidiocese. Antes de ser nomeado bispo, atuava como pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Belo Horizonte.

Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva

Oriundo de Linhares (ES), é membro da Congregação do Santíssimo Redentor. Recebeu a ordenação presbiteral em 11 de agosto de 2001 e possui pós-graduação em Gestão de Pessoas.

Como sacerdote, atuou como formador do Juniorato Redentorista, em Manaus. Já ocupou o cargo de vice provincial dos redentoristas de 2011 a 2014.

Antes de se tornar bispo, exercia desde fevereiro de 2016 a função de coadjutor da Prelazia de Borba.

Gaudium Press, com informações CNBB

A vocação do homem: a vida no Espírito

A vida no Espírito Santo realiza a vocação do homem. Fomos criados para a vida no Espírito, para vivermos as bem-aventuranças. A dignidade da pessoa humana está fundamentada na sua criação à imagem e semelhança de Deus.

O ser humano deve buscar livremente viver a vida nova em Cristo, conduzida pelo Espírito Santo e não pelos apelos do mundo. Pelos seus atos, a pessoa humana conforma-se, ou não, com o bem prometido por Deus. Com a ajuda da graça, crescem na virtude, evitam o pecado e se o cometeram, entregam-se como o filho pródigo à misericórdia do Pai dos céus, para atingir a perfeição da caridade.

Foi em Cristo que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Assim como foi em Cristo, nosso redentor e salvador, que a imagem divina do homem, deformada pelo primeiro pecado, foi restaurada. Para isso o Esposo de nossas almas derramou o seu sangue na cruz.

A imagem divina está presente em cada homem. Desta forma, a vida humana tem um imenso valor. É um grande erro viver esta vida sem lembrar que somos dotados de uma alma espiritual e imortal. O homem é querido por Deus desde toda eternidade e mesmo antes de ser concebido, é destinado para a bem-aventurança eterna.

Aquele que nos sonda e conhece o mais profundo do nosso ser conhece a nossa sede do Espírito de Deus. O homem, pela sabedoria que recebe de Deus, é capaz de compreender os preceitos estabelecidos pelo Criador. Pela decisão e vontade, é capaz de orientar sua vida para o bem verdadeiro e encontrar a perfeição no amor, que é o próprio Deus.

O ser humano é capaz de conhecer a voz de Deus que o impulsiona a fazer o bem e a evitar o mal. Esta lei ressoa na consciência e se cumpre no amor a Deus e ao próximo.

Entretanto, seduzido pelo Maligno desde o começo da história, o homem abusou da sua liberdade. Cedeu à tentação e cometeu o mal. Conserva o desejo do bem, mas a sua natureza está ferida pelo pecado original. O homem ficou com a inclinação para o mal e sujeito ao erro.

Apesar do homem encontrar-se dividido em si mesmo, numa luta entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, pode viver uma vida nova. Pela paixão de Cristo fomos libertos de Satanás e do pecado. A sua graça restaura o que o pecado tinha destruído em nós e nos dá uma vida diferente.

Quem crê em Cristo torna-se filho de Deus. Esta adoção filial nos transforma, nos dando a possibilidade de seguir o Senhor. Torna-nos capazes de agir com santidade, capazes de vivermos a nossa vocação

LEITURAS PARA MEDITAÇÃO: Mateus 5,8; Romanos 8,21; Gálatas 5,1; Filipenses 4,8

Maria de Fátima Moreira Alves

Cofundadora da Comunidade Mãe Imaculada

Igreja Católica ajuda milhares de refugiados muçulmanos em Bangladesh

Refugiados Rohingya. Foto: Adam Dean/ ACNUR

Igreja Católica lançou uma operação de ajuda a 14 mil famílias de etnia rohingya que fugiram de Mianmar e se instalaram em diferentes campos de refugiados na cidade vizinha de Bangladesh, devido à forte repressão que esta minoria étnica e religiosa sofre desde o último mês de agosto.

Apesar da sua presença em Mianmar há alguns séculos, as autoridades privaram os rohingya, uma minoria muçulmana em um país majoritariamente budista, da sua cidadania em 1982 ao considerá-los imigrantes ilegais.

Entretanto, depois da ofensiva realizada em 25 de agosto pelos guerrilheiros rohingya contra o Exército e a Polícia, as autoridades de Mianmar começaram uma repressão contra essa minoria, causando a morte de aproximadamente mil pessoas e mais de 400 mil refugiados que fugiram à vizinha de Bangladesh, de maioria muçulmana.

Através da Cáritas, a Igreja Católica está ajudando as famílias de refugiados rohingya, fornecendo-lhes comida, água, medicamentos, pequenas quantidades de dinheiro e outros serviços básicos para a sua proteção.

A maioria dos refugiados está em situações de total vulnerabilidade. Muitos nem sequer conseguiram abrigo temporário e dormem nas ruas, sem assistência ou qualquer tipo de abrigo.

Além da perseguição em Mianmar e dos perigos de fuga, os refugiados estão em situação de extrema pobreza e, para poder iniciar a viagem, são obrigados a pagar com todo o dinheiro que possuem, o que os coloca à mercê das máfias que traficam pessoas.

Eles se dirigem à Cox’s Bazar, uma cidade localizada na fronteira onde os refugiados podem pedir ajuda às ONGs e à ONU.

Além disso, uma grande quantidade de refugiados está amontoada neste lugar pedindo ajuda humanitária. As agências de ajuda advertiram que a situação os abalou e que enfrentam uma grave crise humanitária.

Quase todas as pessoas chegam desnutridas, especialmente as crianças que, além disso, estão mais expostas aos abusos. Outro problema são as epidemias ante a ausência de medicamentos e higiene.

O governo de Bangladesh prometeu a extensão dos campos de refugiados e a construção de novos abrigos temporários. Entretanto, o primeiro-ministro Sheikh Hasina advertiu que a situação é insustentável e que Mianmar deve ser obrigada a respeitar os direitos humanos a fim de que os refugiados possam voltar para suas casas.

O Papa Francisco viajará entre os dias 27 de novembro e 2 de dezembro a Mianmar e a Bangladesh, depois de aceitar o convite dos Chefes de Estado e dos Bispos de ambos os países.

O Pontífice falou em várias ocasiões contra a perseguição dos rohingya e pediu o respeito pelos seus direitos.

Acidigital