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Por que os santos são santos?

Examinando a vida dos santos, verifica-se que a oração fervorosa era o princípio básico de suas atividades

Se nos dedicarmos atentamente à leitura da vida dos santos, se os observarmos com todo cuidado, acompanhando-os nas lutas que empreenderam e nos trabalhos que suportaram heroicamente, verificaremos que a oração fervorosa e contínua constitui o princípio básico da sua atividade.

Muitas vezes eles se abstinham da comida, bebida ou do repouso reconfortante do sono, mas nunca deixavam de rezar. As suas palavras, os seus trabalhos, as suas ocupações estavam impregnados do espírito de oração. Mesmo quando se dedicavam o dia todo às obras de caridade, ao ensino,  à pregação ou a qualquer outra atividade obrigatória, não esqueciam jamais a oração, permanecendo grande parte da noite em contemplação e meditação.

Como é edificante a descrição da vida que levavam os anacoretas e monges do deserto! Como se dedicavam esses homens à oração! Santo Antão, inspirado por Deus, procurou um dia descobrir onde se encontrava o grande eremita São Paulo. Chegando ao local onde o mesmo se achava, santificaram ambos este dia, votado exclusivamente à oração e santos colóquios, em que Deus Nosso Senhor era o assunto. À noite, apareceu-lhes um corvo que trazia um pão na extremidade do bico. “Veja como Deus é bom”, exclamou Paulo. “Faz hoje 60 anos que Deus me envia diariamente meio pão por seu intermédio; e agora, para comemorar a tua chegada, manda um pão inteiro”. Comovidos e cheios de reconhecimento pela dádiva recebida, continuaram a louvar a Deus com o maior fervor possível e assim permaneceram a noite inteira, só se alimentando com o pão depois de feitas as orações. Este é apenas um exemplo dentre muitos e que nos ensina qual o espírito de oração dos santos anacoretas.

Admirável também é o espírito de oração manifestado por São Patrício, apóstolo da Irlanda. Foi devido ao seu trabalho e zelo que esta ilha se converteu, tornando-se o seu povo verdadeiramente cristão. Rezava diariamente todo o Saltério; curvava-se durante o dia em 300 genuflexões, persignando-se centenas de vezes. A noite era dividida por ele em três partes: uma passava de joelhos, a outra de pé, rezando, e a última parte apenas é que destinava ao sono.

São Francisco de Assis permanecia também muitas noites em oração, dedicando-lhe a maior parte do seu tempo. Os irmãos, seus companheiros, costumavam observá-lo e em muitas ocasiões o ouviram repetir uma infinidade de vezes: “Meu Deus e meu tudo”. Retirava-se frequentemente à solidão para rezar.

São Domingos ficava o dia todo absorvido pela pregação e pelos trabalhos apostólicos. Durante a noite, prostrava-se em frente ao tabernáculo, e quando a Igreja se achava fechada, ajoelhava-se diante da porta, permanecendo assim durante muitas horas, em oração.

Santa Isabel de Hungria gostava muito de rezar, consagrava-se inteiramente à oração. Rezava não somente durante o dia, nas horas determinadas, mas também à noite levantava-se do leito, ficando de joelhos em fervorosa oração. Sua alma, impregnada de fé e piedade, ainda mais se aproximava de Deus, suplicando pela pobre Humanidade pecadora. Só abreviava a oração quando seu esposo o reclamava, receando que o excesso de fervor a fizesse adoecer.

Santo Antônio, o popular Santo Antônio, antes de ser chamado para a vida apostólica, entregava-se à contemplação. Mais tarde, tornando-se pregador e doutor em teologia, continuava a rezar muito. Frequentemente saudava a Nossa Senhora, recitando o belo hino: “O gloriosa Domina”, repetindo amiúde a antífona: “Ecce crucem Domini”,para afugentar o demônio.

São Luis Gonzaga tinha grande predileção pela oração. Era-lhe visivelmente penoso quando tinha de interrompê-la, o que se notava claramente. Conservava-se muitas vezes de joelhos cinco horas a fio. 

A vida de Santo Afonso Maria de Ligório também é bastante conhecida. Compôs e legou de sua lavra as mais belas visitas ao Santíssimo Sacramento e a Maria Santíssima. Ilustrou a Igreja com um belo livro em que demonstra a utilidade e a necessidade da oração. O que recomendou procurou por em prática com todo zelo e ardor. Vivia rezando.

Poderíamos citar ainda muitos nomes de outros Santos, homens seculares, simples lavradores, tal como Santo Isidoro, ou militares que se constituem em defensores da pátria, os que se empregam em exercer o trabalho civil do funcionalismo, monarcas em todo apogeu do seu poder, como o Imperador Henrique, Luis, rei da França, tão célebres pela sua piedade, ou homens pobres, como era José Bento Labre, que emprestaram à oração a máxima importância, consagrando-lhe o melhor do tempo que dispunham.

Todos esses homens, sejam os que abraçaram o estado religioso, ou os que eram simples seculares, os que constituíam família, ou os celibatários, os que viviam na opulência, ou os que passavam as maiores privações, os de posição elevada, ou os extremamente modestos, pobres desconhecidos, pelo seu baixo nível social, eram homens de oração que cumpriram à risca a palavra de Nosso Senhor: “É preciso rezar sempre, sem cessar” (Lc. 18, 1). Assim eles conseguiram triunfar do mal, atingiram a perfeição e se santificaram.

Hoje, infelizmente, os homens rezam pouco ou rezam mal, mil desculpas são forjadas, inúmeros pretextos se alegam para se eximirem da obrigação de rezar. A oração é tida como coisa dispensável ou de menos importância. No entanto, a oração é uma necessidade imprescindível e imperiosa, é um ato que nos dignifica, conforta e consola a nossa alma, preservando-nos do mal.

Fonte: Livro “Assim deveis rezar” de “Mariófilo”, via AASCJ

Interpretar a Bíblia ao pé da letra?

Algumas pessoas que não entendem bem da Bíblia, ou foram doutrinadas em algumas seitas, pensam ainda que devemos interpretar a Bíblia ao “pé da letra”, ou seja, de maneira fundamentalista.

Ora, nada mais errado e perigoso. Por isso, o Magistério da Igreja interpreta a Sagrada Escritura, discernindo o que não pode ser mudado e o que é costume da época e o que não é válido mais em nossos dias. Veja, por exemplo, os problemas que teríamos hoje se fôssemos viver a Bíblia dessa forma:

Êxodo 21,2 – “quando comprares um escravo hebreu, ele servirá seis anos; no sétimo sairá livre, sem pagar nada”. Quer dizer que então podemos comprar escravos?

Levítico 25,44 – estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que sejam adquiridos de países vizinhos. “Vossos escravos, homens ou mulheres, tomá-los-eis dentre as nações que vos cercam; delas comprareis os vossos escravos, homens ou mulheres”.

Êxodo 21,7 – “Se um homem tiver vendido sua filha para ser escrava, ela não sairá em liberdade nas mesmas condições que o escravo” .Então, podemos vender a filha como serva?

Êxodo 21,15 – “Aquele que ferir seu pai ou sua mãe, será morto”. Então vamos decretar a pena de morte para muita gente.

Êxodo 35,2 – claramente estabelece que quem trabalha nos sábados deve receber a pena de morte. “Trabalharás durante seis dias, mas o sétimo (sábado) será um dia de descanso completo consagrado ao Senhor. Todo o que trabalhar nesse dia será morto.” Deveríamos, então, matar todo mundo que trabalha no sábado?

Levítico 21,18-21 – está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito. “Desse modo, serão excluídos todos aqueles que tiverem uma deformidade: cegos, coxos, mutilados, pessoas de membros desproporcionados, ou tendo uma fratura no pé ou na mão, corcundas ou anões, os que tiverem uma mancha no olho, ou a sarna, um dartro, ou os testículos quebrados… Sendo vítima de uma deformidade, não poderá apresentar-se para oferecer o pão de seu Deus.”

Levítico 19,27 – proíbe cortar cabelo: “Não cortareis o cabelo em redondo, nem raspareis a barba pelos lados.”

Levítico 11,6-8 – quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. “E enfim, como o porco, que tem a unha fendida e o pé dividido, mas não rumina; tê-lo-eis por impuro.”

Levítico 19,19 – “Não juntarás animais de espécies diferentes. Não semearás no teu campo grãos de espécies diferentes. Não usarás roupas tecidas de duas espécies de fios”. Ora, então não se poderia ter vacas, cabritos e galinhas na mesma terra. Não se poderia usar roupa de algodão misturado com poliéster como se usa hoje.

Levítico 20,9-16 – “Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte. Amaldiçoou o seu pai ou a sua mãe: levará a sua culpa. Se um homem cometer adultério com uma mulher casada, com a mulher de seu próximo, o homem e a mulher adúltera serão punidos de morte. Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa. Se um homem tiver comércio com um animal, será punido de morte, e matareis também o animal.”

Veja quanta gente teria que ser morta hoje se fossemos seguir a Bíblia “ao pé da letra” de maneira fundamentalista; mas é lógico que isso não pode ser feito. Então a Bíblia errou? Não! O escritor sagrado narrou o que se vivia de costume no seu tempo; hoje não se pode viver isso a luz da verdade e do bom senso. A moral evoluiu até que Jesus Cristo a levou à perfeição.

É por isso que a Dei Verbum do Concilio Vaticano II ensina que: “O ofício de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou transmitida, foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo” (n. 10).

E São Pedro nos lembra algo muito importante: “Nelas [Sagradas Escrituras] há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pd 3,16).

Prof. Felipe Aquino

Lançado ‘Paróquia Virtual’, o app que ‘faz comunidade’ na rede

Segundo informam os sacerdotes dehonianos Padre Zezinho e Padre Joãozinho que se encontram em Roma, a comunicação entre as paróquias e os católicos ficou agora mais simples porque acaba de ser lançado o aplicativo PARÓQUIA VIRTUAL.

Segundo eles, com um toque você pode-se ter acesso a uma meditação sobre o Evangelho do dia; os párocos poderão postar seus avisos e se comunicar em tempo real com todos os paroquianos que tiverem o aplicativo em seu celular.
A iniciativa da difusão é da Ordem dos Mercedários, da Congregação dos Dehonianos junto com a empresa que criou o aplicativo que está disponível, gratuitamente, desde 10 de junho, fazendo ‘ comunidade’ na rede.
Para Frei Rogério Soares, provincial dos mercedários no Brasil, no aplicativo estão reunidos o app com a interação.
“As pessoas podem interagir. Será uma grande rede social, uma comunidade de intercessores, de pessoas que rezam umas pelas outras. Nós vamos fazer com que as pessoas se encontrem, para orar, pedir preces”.
O aplicativo se chama PARÓQUIA VIRTUAL, porque é um trabalho feito a partir das paróquias com a colaboração dos párocos. Ali os católicos terão seu perfil, seguirão páginas que serão as paróquias, as paróquias terão seu seguidores ou seus ‘paroquianos virtuais’ e o pároco poderá enviar mensagens aos seus paroquianos virtuais, horários de missa, de confissão, avisos… tudo o que ele quiser vai poder administrar a partir de sua página”.
Geolocalização das Paróquias

“Outro serviço que o app oferece é o mapa. A geolocalização das paróquias. Quando você for a uma cidade e quiser ir a uma missa e não sabe onde e nem os horários, você vai no aplicativo, localiza no mapa a paróquia mais próxima de onde você estiver, e vai clicar naquela paróquia para saber os horários, quem é o padre, o telefone… você tem todo um serviço na palma de sua mão: é a paróquia na palma de sua mão”.

Gaudium Press

Audiência: a única força do cristão é o Evangelho

Cerca de 20 mil pessoas participaram da Audiência Geral com o Papa Francisco na Praça S. Pedro

Tratou-se da última antes da pausa de verão – as audiências serão retomadas em agosto -. O Papa dedicou a sua catequese à esperança como força dos mártires.

 Ao enviar os discípulos em missão, explicou Francisco, Jesus adverte que o anúncio do Reino comporta sempre uma oposição: “Vocês serão odiados por causa do meu nome”. “Os cristãos amam, mas nem sempre são amados”, disse o Papa. Portanto, os cristãos são homens e mulheres contracorrente, que vivem seguindo um estilo de vida indicado por Jesus – um estilo que Francisco definiu “estilo de esperança”.

A única força é o Evangelho

Para se parecer com Cristo, é preciso ser desapegado das riquezas e do poder. O cristão percorre o seu caminho com o essencial, mas com o coração repleto de amor. De fato, jamais deve usar a violência. A única força é o Evangelho. A perseguição, portanto, não é uma contradição. Se perseguiram o Mestre, porque seríamos poupados da luta? Porém, em meio à batalha, o cristão jamais deve perder a esperança. Há Alguém que é mais forte do que o mal: mais forte do que as máfias, de quem lucra sobre a pele dos desesperados, de quem espezinha os outros com prepotência.

Os cristãos, portanto, devem sempre estar na outra margem do mundo, aquela escolhida por Deus: não perseguidores, mas perseguidos; não arrogantes, mas mansos; não impostores, mas honestos.

Perfume de discipulado

Esta fidelidade ao estilo de Jesus foi chamada pelos primeiros cristãos com o nome de “martírio”, que significa “testemunho”. O vocabulário oferecia muitas outras possibilidades: heroísmo, abnegação, sacrifício de si. Mas os primeiros cristãos escolheram um nome “com perfume de discipulado”.

“Os mártires não vivem para si, não combatem para afirmar as próprias ideias, e aceitam morrer somente por fidelidade ao evangelho. O martírio não é nem mesmo o ideal supremo da vida cristã, porque acima dele está a caridade, isto é, o amor a Deus e ao próximo. A ideia de que quem comete atentados suicidas seja chamado mártir repugna os cristãos: neste ato, não há nada que possa se aproximar da atitude de filhos de Deus.

 “Que Deus nos doe sempre a força de ser suas testemunhas. Que Ele nos doe viver a esperança cristã sobretudo no martírio confidencial de fazer o bem e com amor os nossos deveres de todos os dias.”

Ao final da Audiência, o Papa concedeu a sua bênção apostólica.

Rádio Vaticano

No Vaticano a Action catholique de femmes- O lugar das mulheres na Igreja

De 26 a 30 de junho a associação francesa Action catholique des femmes estará no Vaticano. A antiga e gloriosa associação — fundada em 1901 para defender a liberdade religiosa, e depois sempre empenhada em ajudar mulheres de todas as idades e condições sociais a viver mais intensamente os valores cristãos, baseando o papel feminino na sua vocação batismal — renovou-se recentemente. Tendo reescrito os estatutos, que salientam a identidade da associação entendida como movimento católico de mulheres e não só movimento de mulheres católicas, reiterou-se a vocação originária de ajudar as mulheres a cultivar a própria vida espiritual, agora aberta também a não-crentes ou a pessoas pertencentes a outras religiões.

Campigli, Massimo, 1895-1971; Six Women

Na sua longa história, a associação apoiou sempre a emancipação das mulheres na sociedade e, a partir de 2015, o objetivo identificado é combater para que às mulheres seja reconhecido o justo lugar na Igreja nos momentos decisórios. Portanto, as perguntas que as sócias farão ao Papa estão ligadas a esta proposta, e começam com a denúncia do desinteresse em relação a elas por parte de muitos eclesiásticos, indiferentes ao facto de que estas mulheres estão a interrogar-se sobre o futuro da Igreja, sobre o modo de anunciar a encarnar Cristo hoje. E aos numerosos prelados que não as ouvem, perguntam: não seria bom fazê-lo juntos?

E depois passam a perguntar por que as mulheres — como batizadas e como crentes — não devem ocupar um lugar inteiro e reconhecido como os seus irmãos na comunidades dos discípulos de Jesus. Sem a presença e o serviço silencioso das mulheres, quais seriam o lugar e o papel da Igreja no mundo? Não se priva porventura a nossa Igreja de coisas essenciais, deixando de lado as mulheres?

A sua proposta, as suas perguntas, constituem mais um elemento no quadro em forte crescimento daquelas mulheres que dirigem um olhar crítico para a marginalização na qual a mentalidade clerical as circunscreve dentro da Igreja. Proposta e perguntas que deixam entender com clareza e coragem que esta exclusão já não encontra nem consenso nem legitimação na cultura das sociedades contemporâneas.

L’ Osservatore Romano

Convicção de fé

Convicção de fé 27.06.17

Dom Paulo Mendes Peixoto

A fé, no Reino divino, é um dom de Deus. É recebida pelo batismo, como uma semente. Mas tem que ser regada, assumida com maturidade e equilíbrio. Muitas de suas manifestações revelam desequilíbrios. Até o fato de a pessoa querer ser diferente das outras, na comunidade cristã, onde ela (a fé) deve ser colocada em prática, “cheira” atitude estranha, que não passa de falta de equilíbrio.

Identifica-se claramente, nos últimos tempos, uma forte contradição relacionada com a fé: de um lado, o indiferentismo em relação à vida cristã; de outro, as manifestações de religiosidade sensacionalista, com pouco, ou nada, de comprometimento com as realidades concretas da vida da sociedade. Não adianta dizer ter fé se não tem obras, não há esforço para construir uma vida de liberdade.

Quem teve oportunidade de uma boa formação sobre a fé, tem mais facilidade para enfrentar os caminhos difíceis na vida. Seus atos devem ser autênticos, justos e honestos. Sua base de ação está mais fundamentada na Palavra de Deus. Fica indignado diante da corrupção, da violência e da falta de paz. Mas também acredita no caminho do diálogo, do respeito e da misericórdia.

Faz parte do compromisso de fé a alegria da missão, mas também os sinais de contradição e de rejeição. Na cultura brasileira do momento, falar de justiça e de honestidade é correr o risco e o desafio da exclusão. Parece bastante sintomático ser desonesto, principalmente nos desvios das coisas públicas. Todo brasileiro sente, “na pele”, as consequências dos “Lava-jatos da vida”.

Nos momentos de provação, por causa da missão profética, Deus está com as pessoas que professam a fé nele. O medo não pode roubar da pessoa de fé, sua motivação profética, e nem ter medo de quem mata o corpo, pois Deus cuida até dos pássaros do campo, quanto mais da vida de seus filhos na fé (cf. Mt 10,28-29). Jesus disse estar com seu povo até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20).

Quem luta por Deus, fazendo o bem pelas pessoas e pela natureza, pode contar com ele em todos os momentos. Ele não está presente em quem “trambica”, usa de esperteza no exercício do poder e do ter, porque não é uma atitude de quem vivencia a fé. A vida será julgada pelo que a pessoa fez ou deixou de fazer. Ela terá que arcar com as consequências dos maus atos.

CNBB / Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

Hoje é celebrada Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Neste dia 27 de junho é celebrada a Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira dos Padres Redentoristas e cujo ícone original está no altar-mor da Igreja de Santo Afonso.

Esta imagem recorda o cuidado da Virgem por Jesus, desde a concepção até a morte, e hoje continua a proteger os seus filhos que recorrem a Ela.

Diz-se que no século XV, um comerciante rico do Mar Mediterrâneo tinha a pintura do Perpétuo Socorro, embora se desconheça como chegou a suas mãos. Para proteger o quadro de ser destruído, decidiu levá-lo para a Itália e na travessia aconteceu uma terrível tempestade.

O comerciante pegou o quadro, pediu socorro e o mar se acalmou. Estando já em Roma, ele tinha um amigo, a quem mostrou o quadro e lhe disse que um dia todo o mundo renderia homenagem a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Depois de um tempo, o comerciante ficou doente e, antes de morrer, fez seu amigo prometer que colocaria a pintura em uma igreja ilustre. No entanto, a esposa do amigo se encantou com a imagem e ele não concretizou a promessa.

Nossa Senhora apareceu ao homem em várias ocasiões pedindo-lhe que cumprisse a promessa, mas por não querer desagradar sua esposa, ficou doente e morreu. Mais tarde, a Virgem falou com a filha de seis anos e lhe deu a mesma mensagem de que desejava que o quadro fosse colocado em uma igreja. A pequena foi e contou à sua mãe.

A mãe se assustou e a uma vizinha que zombou do ocorrido surgiram dores tão fortes que só aliviaram quando invocou arrependida a ajuda da Virgem e tocou o quadro. Nossa Senhora apareceu novamente para a menina e lhe disse que a pintura devia ser colocada na igreja de São Mateus, que estava entre as basílicas de Santa Maria Maior e São João de Latrão. Finalmente, assim foi feito e se realizaram grandes milagres.

Séculos depois, Napoleão destruiu muitas igrejas, incluindo a de São Mateus, mas um padre agostiniano conseguiu secretamente tirar o quadro e, mais tarde, a pintura foi colocada em uma capela agostiniana em Posterula.

Os Redentoristas construíram a Igreja de Santo Afonso sobre as ruínas da Igreja de São Mateus e, em suas investigações, descobriram que antes havia ali o milagroso quadro do Perpétuo Socorro e que estava com os Agostinianos, graças a um sacerdote jesuíta que conhecia o desejo da Virgem de ser honrada nesse lugar.

Assim, o superior dos Redentoristas solicitou ao Beato Pio IX, que ordenou que a pintura fosse devolvida à Igreja entre Santa Maria Maior e São João de Latrão. Do mesmo modo, encarregou os Redentoristas de fazer com que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro fosse conhecida.

Os Agostinianos, uma vez que souberam da história e do desejo do Papa, de bom grado devolveram a imagem mariana para agradar a Virgem.

Hoje em dia, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro tem se expandido por vários lugares, construindo-se igrejas e santuários em sua honra. Seu retrato é conhecido e reverenciado em todo o mundo.

Acidigital